Saliva, desempenho e saúde do atleta

Os exercícios executados de forma repetitiva, porém programada, recebem interferência e sofrem um processo adaptativo relacionado diretamente à captação de nutrientes, respiração, frequência cardíaca e circulação sanguínea.

Sabe-se que o rendimento de um atleta pode sofrer interferência, caso apresente algum distúrbio em sua saúde bucal. Deste modo, visando o desempenho do atleta, faz-se necessário um exame odontológico minucioso e periódico, para promover o tratamento de eventuais doenças, ou até mesmo para atuar de forma preventiva.

No dia a dia do atleta, a saliva – assim como o sangue – é apontada como uma fonte potencial de biomarcadores de desempenho da atividade física. Sendo ela um fluido que contém proteínas, ácidos, peptídeos e outros marcadores fisiológicos importantes no diagnóstico de problemas ou níveis hormonais sistêmicos.

A Ciência utiliza marcadores bioquímicos fisiológicos para as análises com saliva, o que torna os testes e resultados mais rápidos e confortáveis para quem se submete a ele.

Os biomarcadores salivares têm sido motivo de estudos investigativos a presença de efeitos, tanto agudos como crônicos, em maior ou menor quantidade ou concentração.

Há alguns anos, para realizar análises sobre as respostas do exercício sobre o organismo, eram usadas amostras sanguíneas. A vantagem de utilizar um método não invasivo é que a periodicidade do teste pode ser reduzida, já que é inviável fazer coletas sanguíneas e de urina na mesma frequência do que as coletas salivares. Isso beneficia o acompanhamento do metabolismo do atleta, além de não necessitar de pessoas altamente especializadas para realizar este procedimento.

Na prática das atividades físicas há, enquanto o metabolismo energético ocorre, a transformação de subprodutos das reações metabólicas. Uma das substâncias formadas é o lactato, que auxilia a atividade motora durante sua contração, servindo como fonte energética. Mas quando o atleta apresenta atividade intensa de treino seu organismo é incapaz de eliminar as altas concentrações deste subproduto, sobrecarregando as vias de eliminação do ácido lático. Se a presença de tal ácido em grandes concentrações causa alterações de pH salivar, isso pode levar a lesões nas estruturas dentais e de suporte, além de mucosas e língua, podendo, em longo prazo, alterar oclusão, mastigação, e ainda causar hipersensibilidade dentinária e dores, podendo ser maléfico ao desempenho do atleta que sofre de tais condições.

As atividades intensas influenciam o pH oral e, consequentemente, causam possíveis lesões em estruturas orais, desde que associadas a outros fatores, como má higiene, dieta rica em açúcares, isotônicos, e assim trazem malefícios para a saúde oral dos atletas e esportistas amadores, colocando a Odontologia do Esporte em prol, mais uma vez, da saúde do atleta.


Dr. ReinaldoReinaldo Brito e Dias
Cirurgião-dentista. Professor Responsável pela Disciplina de Odontologia do Esporte da FOUSP. Membro da Comissão Científica da Academia Brasileira de Odontologia do Esporte. Representante no Estado de São Paulo da Academia Brasileira de Odontologia do Esporte. Membro da Câmara Técnica de Odontologia do Esporte do CROSP. Presidente do Conselho Curador da FFO – Fundecto. Membro da Academy of Dentistry International.

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