A saúde bucal do atleta é tão importante quanto a vitória

Os meios de comunicação estão constantemente trazendo episódios com atletas envolvendo seu afastamento de treinos e competições por tempos longos e que, depois de minuciosa investigação, o problema odontológico aparece como responsável. Esses episódios de lesões e períodos de recuperação acarretam também prejuízos psicológicos ao atleta.

A busca por dispositivos que minimizem centésimos de segundos, por roupas que reduzam o impacto do ar e da água e por treinamentos individualizados, por exemplo, é incessante, para que recordes sejam quebrados e metas olímpicas sejam alcançadas.

Devemos lembrar que o organismo do atleta é uma máquina que deve funcionar com potência máxima. Para isso, todos os órgãos e tecidos devem estar em pleno funcionamento, e os profissionais da saúde que cercam esse atleta devem ter consciência que alguns planos de tratamento e estratégias preventivas devem ser considerados. Nesse momento, o atleta deixa de ser um paciente comum.

A cavidade oral possui uma microbiota particular e bem equilibrada. A partir do momento que existe o desequilíbrio, inicia-se um processo de doença, que compromete o bem-estar do indivíduo.

Desde Miller, que em 1891 publicou sua “Teoria da Infecção Focal”, onde afirma que microrganismos provenientes de infecções bucais transitam pelo organismo do homem, causando danos a regiões distantes da boca, que a saúde oral vem recebendo uma atenção maior, em um momento com uma interpretação equivocada, levando a exodontia de dentes tratados endodonticamente sem evidência de infecção.

Desse evento até os dias de hoje, muitas pesquisas foram realizadas, não com o intuito de se comprovar as afirmações da teoria de Miller, mas sim que problemas a distância fossem provocados por bactérias oriundas da cavidade oral.

Quando nos reportamos ao paciente atleta, o primeiro pensamento que se deve ter em mente é que uma das características que o difere de um paciente comum do dia a dia do cirurgião-dentista é que se a corrente sanguínea leva bactérias a longa distância do organismo humano, esse processo ocorre em uma velocidade maior no organismo do atleta, pois ele se encontra sempre no limite fisiológico.

Os atletas possuem um metabolismo muscular mais acelerado. As bactérias orais, por sua vez, têm cada uma sua predileção, deslocam-se da cavidade oral, seja dos tecidos periodontais ou de lesões periapicais, para diferentes nichos do organismo humano.

É preciso entender que a cavidade oral e os microrganismos que a colonizam naturalmente podem se apresentar em até 400 espécies diferentes, devendo estar em equilíbrio para manter a microflora e, por conseguinte, a saúde oral.

Deve-se pontuar que problemas de saúde geral podem ter início nas enfermidades bucais, e ter em mente o quanto essa situação pode trazer riscos à saúde do atleta e ao seu desempenho.

Essa é uma das responsabilidades do cirurgião-dentista especialista em Odontologia do Esporte.


Dr. ReinaldoReinaldo Brito e Dias
Cirurgião-dentista. Professor Responsável pela Disciplina de Odontologia do Esporte da FOUSP. Membro da Comissão Científica da Academia Brasileira de Odontologia do Esporte. Representante no Estado de São Paulo da Academia Brasileira de Odontologia do Esporte. Membro da Câmara Técnica de Odontologia do Esporte do CROSP. Presidente do Conselho Curador da FFO – Fundecto. Membro da Academy of Dentistry International. 

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