Tratamento para a estomatite protética 

estomatite protética

Um grupo de profissionais de saúde da Unesp e do Instituto de Física da São Carlos (IFSC/USP) está pesquisando tratamento para estomatite protética com aplicação de luz para as pessoas que usam de prótese total. A estomatite é uma doença causada por fungo, e, se não tratada, pode levar a um desconforto generalizado e ardência na cavidade bucal. A pesquisa tem como foco os idosos, que normalmente são os usuários da prótese.

Orientado pela professora Ana Cláudia Pavarina, do Departamento de Matérias Odontológicos e Prótese, da Faculdade de Odontologia do Campus de Araraquara, o grupo da Unesp pesquisa a utilização da Terapia Fotodinâmica Antimicrobiana no controle dos microrganismos que colonizam a cavidade bucal, com foco no tratamento da estomatite protética. “O objetivo é evitar a propagação dos mesmos e a transmissão de doenças infecciosas”, diz a pesquisadora.

Já a equipe de pesquisa do IFSC/USP atua no desenvolvimento das fontes de luz que serão utilizadas no tratamento, no caso, a Terapia Fotodinâmica Antimicrobiana (aPDT). O grupo é coordenado pelo professor Vanderlei Salvador Bagnato, do IFSC. Bagnato também fornece o Photodithazine (pó composto formado por um tipo de sal dissolvido em água), que tem sido utilizado nas pesquisas em andamento do grupo de Araraquara.

“Realizamos estudos in vitro e em modelo animal, para definimos os parâmetros adequados. Somente após essa fase é que podemos realizar os estudos clínicos em pacientes”, diz Ana Cláudia.

O tratamento para estomatite protética com Terapia Fotodinâmica ainda é restrito às pesquisas, e para estar disponível como procedimento regular em clínicas, necessita do estabelecimento de protocolos adequados e de autorização das autoridades da área de saúde. Atualmente o grupo trabalha no estabelecimento e na validação deste protocolo. O trabalho que está sendo desenvolvido faz parte da Tese de Doutorado da aluna do Programa de Pós-Graduação em Reabilitação Oral, Fernanda Alves.

No momento, a equipe de pesquisadores está desenvolvendo um estudo com objetivo de avaliar o efeito da Terapia Fotodinâmica no tratamento de pacientes com a doença, comparando com o antifúngico tópico Nistatina (antifúgico usado de forma convencional). Durante o procedimento será usado o Photodithazine como fotossensibilzador associado à luz LED 660 nm). Nesta pesquisa serão tratados 60 pacientes idosos usuários de próteses totais superiores e com diagnóstico da doença.

Os pacientes serão distribuídos em dois grupos compostos por 30 pacientes cada. O primeiro grupo terá tratamento com a Terapia Fotodinâmica, que será aplicada na prótese total superior e no palato dos pacientes e iluminados com luz LED (três vezes por semana, durante 15 dias). O segundo grupo receberá aplicação de antifúngico tópico à base de Nistatina (quatro vezes ao dia, por 15 dias).

A eficácia dos tratamentos está sendo avaliada por meio de coletas microbiológicas das próteses e das mucosas palatinas para quantificação dos microrganismos e das fotografias intraorais dos palatos. Os pacientes que recebem o tratamento com aPDT comparecem à Faculdade para as aplicações (seis no total). Já os pacientes que usam antifúngico são orientados e fazem o tratamento em casa. “Até o momento foram tratados 40 pacientes. Observamos que o tratamento com aPDT resultou em mais reduções na microbiota total dos pacientes, em comparação ao grupo da Nistatina”, explica Ana Cláudia.

No resultado clínico, foi observado que ao final das aplicações houve a extinção completa da lesão em alguns pacientes. Os que apresentavam lesão grau II antes do início do tratamento, ao final dos procedimentos mostravam grau I. Com relação ao grupo da Nistatina, após o término do tratamento, houve melhora do grau das lesões apenas de um paciente (que passou do grau II para o grau I). O restante do grupo manteve o mesmo grau de inflamação.

Conforme concluiu a professora, “com base nos resultados iniciais, sugerimos que a Terapia Fotodinâmica Antimicrobiana (aPDT) pode ser uma opção promissora para o tratamento da estomatite protética”.

A pesquisa tem apoio da Fapesp e trabalha com a previsão de término para março de 2017. O estudo desenvolvido em animais foi publicado recentemente na revista científica Plos One. Para ler o artigo, clique aqui.

Sintomas da estomatite protética

A estomatite protética afeta aproximadamente 65% das pessoas que usam próteses dentárias.

Os sintomas podem incluir ardência, prurido, dor, desconforto generalizado na cavidade bucal, alteração no paladar e lesões associadas, como a queilite angular. Além disso, a inflamação do palato pode ocasionar a desadaptação da prótese, tendo como consequência uma diminuição da capacidade mastigatória e lesão na mucosa de suporte da prótese.

Opções de tratamento

Os tratamentos para a estomatite protética são variados. Pode ser por meio da terapia antifúngica tópica (aplica no local da infecção); medicação antifúngica sistêmica (ingestão de medicamento) ou procedimentos de higienização e desinfecção das próteses (limpeza e desinfecção da prótese).

Ana Cláudia conta que em qualquer situação clínica, é necessário orientar os pacientes quanto à higienização das próteses e à sua remoção durante o período noturno (para dormir). Além disso, é indicado que as próteses com mais de cinco anos de uso ou em condições inadequadas sejam substituídas.

Como opção inicial de tratamento são utilizados agentes antifúngicos tópicos, como Nistatina e o Miconazol, esses são efetivos para aliviar os sinais e sintomas clínicos, porém tem sido observado que os  resultados de melhora são temporários e a recidiva da doença é frequente nos idosos.

A medicação sistêmica é instituída em pessoas com saúde comprometida e com infecções recorrentes. O fluconazol, itraconazol e anfotericina B são antifúngicos sistêmicos que vêm sendo amplamente empregados, porém, com a utilização destes medicamentos, a ocorrência de efeitos hepatotóxicos é frequente, assim como o desenvolvimento de resistência fúngica, similar ao que ocorre com a utilização dos antibióticos. “No caso, esta seria a grande vantagem da aPDT. Não há relatos que mostram o desenvolvimento de resistência”, finaliza a professora.


Fonte: Unesp – Universidade Estadual Paulista

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