Lesões pigmentadas da cavidade oral

lesões pigmentadas

Lesões pigmentadas na cavidade oral e estruturas periorais são comuns e podem se apresentar de diversas formas clínicas.

A primeira conduta é sempre determinar diante de qual lesão fundamental estamos (vesícula, mácula, placa, erosão, ulceração, dentre outras) e atentar para as características de simetria, bordas, variações cromáticas, tamanho e histórico de evolução, bem como histórico médico e odontológico. Essa ampla gama de possibilidades de apresentação, além de dificultar o diagnóstico, torna-o essencial, pois algumas dessas lesões podem representar patologias agressivas.

A mucosa oral humana se caracteriza por apresentar tonalidades predominantemente desde a rosa pálido até as mais acastanhadas, com regiões específicas de outras colorações. Variações cromáticas na mucosa podem ocorrer fisiológica ou patologicamente, dependendo de fatores, como atividade e número de melanócitos, vascularização e grau de queratinização.

O conjunto de lesões pigmentadas pode ser classificado em lesões melanocíticas e lesões causadas por outros pigmentos.

A pigmentação é intitulada endógena quando produzida pelas próprias células do corpo, e chamada de exógena quando por fatores externos. Nesta coluna, vamos focar nas lesões pigmentadas da cavidade oral associadas à melanina, excluindo as relacionadas às desordens sistêmicas.

Vários estímulos, como radiação, medicamentos, alterações hormonais e trauma podem resultar em aumento na produção de melanina. As funções da melanina incluem absorção da luz ultravioleta e eliminação de alguns compostos citotóxicos.

A pigmentação oral racial é fisiológica, geralmente difusa e bilateral, embora uma grande variedade de padrões possa ser observada. Gengiva inserida é o local mais frequentemente afetado. Outros locais comuns de manifestação são os lábios, palato e língua. Não tem potencial de malignização, sendo o tratamento opcional e apenas por razões estéticas.

Já as lesões que possam ser confundidas com entidades patológicas agressivas, como o melanoma, devem ser solucionadas com urgência, aplicando a conduta clínica necessária ou encaminhando a um profissional especialista. Essas lesões, cujo o diagnóstico diferencial é essencial para garantir a saúde do paciente, incluem máculas melanocíticas, lentigos e efélides e nevo melanocítico. Podem ser congênitas ou adquiridas, e são causadas pelo aumento da produção e deposição de melanina. Locais comumente afetados em boca são o vermelhão dos lábios e a gengiva. A definição da etiologia dessas lesões é difícil e complexa, e em diversos casos não haverá como distinguir se representam um processo fisiológico ou reacional.

Melanoacantoma é uma pigmentação adquirida benigna, que acomete preferencialmente mulheres negras. Apresenta-se como lesão única, na maioria dos casos, e sua coloração pode variar de marrom a preto. Uma característica que merece atenção, por contrastar com a maioria das lesões benignas e se assemelhar clinicamente ao melanoma, é sua tendência a aumentar de tamanho rapidamente. Acredita-se ser um processo reacional.

O cigarro, em suas diversas formas, é um dos principais causadores de uma lesão chamada pigmentação melânica associada ao tabaco. Esta lesão é encontrada em um em cada cinco fumantes. Surge com maior frequência no palato, lábio inferior, comissura labial e gengiva, como uma mancha enegrecida, única ou múltipla. Não requer tratamento e regride após cessar o hábito do fumo.

Enquanto o melanoma em pele é relativamente comum, o melanoma oral é raro. Em boca, o local mais acometido é o palato, seguido pela gengiva. Agressores locais, como o álcool e o fumo são apontados como possíveis fatores etiológicos, embora não estejam presentes em todos os casos.

Aproximadamente 1/3 dos casos são precedidos por pigmentações pré-existentes. É importante ter sempre em mente o ABCD do melanoma, atentando para os casos mais incomuns, como o melanoma amelanótico.

No próximo artigo abordaremos as desordens sistêmicas associadas a lesões pigmentadas melanocíticas.


AlineAline Queiroz de Almeida
Cirurgiã-dentista. Membro da Sociedade Brasileira de Estomatologia e Patologia Oral. Concluiu Residência no Hospital de Câncer de Barretos – Fundação Pio XII. Atende em clínica particular em Barretos e Bebedouro (SP).

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