Dentista Beleza

Necessidades Especiais

Abro o meu primeiro texto com o trecho de uma música do saudoso Raul Seixas: “Enquanto você se esforça pra ser um sujeito normal e fazer tudo igual. Eu do meu lado aprendendo a ser louco, um maluco total, na loucura real. Controlando a minha maluquez, misturada com minha lucidez. Vou ficar com certeza maluco beleza”.

Recebi um convite para fazer parte desse novo Portal da Odontologia: Local Odonto. Desde já agradeço o convite e desejo todo o sucesso a esse novo meio de comunicação da Odontologia. Fico lisonjeado pela lembrança do meu nome, será uma honra poder compartilhar com vocês ideias, informações; e porque não dizer opiniões contrárias? Claro, não sou dono da verdade, talvez das minhas verdades, que nem sei se são tão verdadeiras assim, diria apenas que honestas aos meus princípios e as minhas crenças.

A amiga e jornalista do portal pediu para que eu falasse diretamente para você, ou seja, de dentista para dentista. Não vou conseguir um “olho-no-olho”, mas vou tentar ser o mais objetivo possível, ao menos para você não achar que perdeu seu precioso tempo.

Sou dentista de “pessoas especiais”. Para mim, o fato de uma pessoa sentar na minha cadeira no consultório já faz dela uma pessoa especial. E veja que o conceito de especial pode ser o melhor possível. No dicionário Houaiss, a palavra “especial” tem várias acepções. Gosto muito de algumas: “aquele que é fora de série”, “ótimo”, “excelente” ou “que evoca coisas boas”. Viram, os especiais evocam coisas boas. E eu gosto de coisas boas.

Quero destacar aqui, aqueles pacientes que precisam de uma atenção diferente, um olhar diferente do profissional, os denominados: “Pacientes com Necessidades Especiais” (PNE). Aqueles que são relegados a um quinto plano, na agenda da absoluta maioria dos dentistas. Opa, isso não é uma desonra para nossa tão prestigiada classe odontológica, é apenas o resultado de pesquisas nas mais diversas fontes. Quer uma? Em mais de 260 mil dentistas cadastrados no CFO, existem 560 especialistas ou 0,2% dos inscritos. Claro que sei que existem muitos que não são especialistas e cuidam dos “especiais”, mas quantos são? 1%, 10 %? Não importa, são poucos pela demanda enorme que existe em nossa sociedade. E nem precisa ser especialista para cuidar de mais de 60% desses pacientes. Garanto a vocês, em mais de 30 anos trabalhando com especiais, qualquer profissional, que conseguiu seu registro no CRO, é capaz de atender um paciente especial avaliando corretamente sua condição clínica ou bucal. Desde que tenha respeito e dedicação pelo cliente.

Contudo, não quero convencê-lo a atender os PNE. Essa é uma tarefa para poucos mesmo. Essa atuação é para pessoas fortes, para profissionais que estudam muito, para dentistas que respeitam a profissão e para aqueles que, com sensibilidade, sabem que podem fazer a diferença para o próximo.

Os “especiais” precisam de “dentistas especiais”, profissionais que olham além dos dentes, além das veias e artérias, olham para corações e mentes.

Se você não se encaixa nesse perfil, acredite você nunca será um “Dentista Beleza” e continuará fazendo tudo sempre igual.

 


jose reynaldoJosé Reynaldo Figueiredo
Cirurgião-dentista. Doutor em Ciências Odontológicas. Mestre em Deontologia e Odontologia Legal. Especialista em Odontopediatria. Especialista em Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais. Especialista em Implantodontia. Vice-Presidente da Associação Brasileira de Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais (ABOPE). Membro do Conselho e do Comitê de Educação da iADH (International Association for Disability and Oral Health). Membro do Grupo de Trabalho, do Ministério da Saúde referente às “Diretrizes de Atenção à Saúde Bucal da Pessoa com Deficiência no SUS”. Responsável pela “Clínica Sorrisos Especiais”. 

DEIXE UMA RESPOSTA