Congresso mundial de pacientes especiais

pacientes especiais

Aconteceu no mês de abril passado o Congresso Mundial de Pacientes Especiais da International Association for Disability and Oral Health (iADH), em conjunto com a associação americana de pacientes especiais, a Special Care Dentistry Association (SCDA).

O evento tomou forma no The WestinHotel, um hotel imponente no centro de Chicago, região central dos Estados Unidos, ao lado do não menos imponente Jonh Hancook Building, com seus 100 andares e com uma vista maravilhosa do Lago Michigan e de toda cidade de Chicago, “The Windy City”. Cidade dos ventos e do frio, porque cheguei lá em plena primavera e estava nevando.

Mas toda essa introdução, digamos turística, veio apenas para dizer que a ABOPE, a nossa querida associação de pacientes especiais, esteve presente;  e desde 2008, quando a ABOPE organizou o Congresso da iADH, em Santos, São Paulo, contou com uma boa presença de brasileiros, tanto na organização do congresso, com o Dr. Marcello Boccia, representante brasileiro na diretoria executiva da iADH, com palestrantes importantes, como os Dr. Rafael Celestino, de São Paulo, e os Drs. Almir Oliva e Isabela Castro, do Rio de Janeiro, que apresentaram trabalhos e palestras elogiadíssimas pelos organizadores.

Pude também participar, representando a ABOPE, do Conselho da iADH. O conselho conta com representantes de mais de 40 países. Esse encontro reafirma e reforça a presença do nosso país e da nossa Odontologia no cenário mundial da Odontologia para Pacientes Especiais. Outros profissionais brasileiros estiveram presentes no congresso. De certa forma, a presença brasileira demostra que estamos conectados ao mundo exterior, por mais que a representatividade de nossa associação ainda tenha baixa adesão dos profissionais que atuam na área.

Vários temas foram discutidos durante o “iADH Council Meeting”. Não vou me ater a extensa pauta colocada pela diretoria, mas alguns itens podem ser de interesse para os profissionais brasileiros. Para começar vou explicar a dinâmica da direção da iADH. A diretoria é composta por uma equipe executiva, com presidente, secretário, tesoureiro, editor e membros apoiadores, e uma interessante forma colegiada de administração. A iADH conta com um presidente da gestão passada, um atual e um futuro. O presidente eleito é Shouji Hironaka, do Japão. O presidente que se despediu nesse congresso é Timucin Ari, de origem turca, mas vivendo atualmente no Canadá. O presidente que saiu da executiva é Dimitris Emmanouil, da Grécia, e o futuro presidente, já escolhido, é Luc Marks, da Bélgica.

Também já está decidido o próximo congresso, que ocorrerá em Istambul, na Turquia, em 2018. As candidaturas para os próximos anos já estão na mesa: 2020 Cancun, no México; 2022 Paris, França; e até 2024 que já tem candidato, Seul, capital Coreia do Sul.

Tão impressionante quanto a vontade de ser a sede de um congresso desse porte, e o Brasil já teve essa honra, é a organização antecipada dos concorrentes. A Turquia já apresentou o logo, pôsteres, e ainda trouxe para cada membro do conselho um pequeno mimo, uma bolsinha com um broche e doces do país. O México já apresentou o resort onde pretende organizar o congresso, com um detalhe interessante, um pacote que já contempla inscrição, hospedagem, alimentação. O representante da Coreia do Sul apresentou, para o ainda distante 2024, opções de hospedagem e até os custos da inscrição.

Muitos outros assuntos foram discutidos, por exemplo, as contas da associação. De uma maneira transparente, o tesoureiro Martim Arts, da Holanda, apresentou os gastos e receitas dos anos passados. Com relação às receitas, estavam ali os pagamentos que as entidades nacionais pagam à iADH para manter sua representatividade. Nós da ABOPE também temos essa taxa, que é auferida pela anuidade paga por nossos sócios.

É preciso frisar aqui que, todas as expensas da participação dos membros da ABOPE no evento foram de caráter pessoal, com cada um custeando seus gastos individuais, e até mesmo a inscrição do congresso. Somos ainda uma gotinha nesse oceano.

A associação japonesa conta com 4 mil pagantes, o que a torna a mais atuante associação mundial atualmente. Não por acaso, o presidente Shouji Hironaka, um admirador confesso do Brasil, foi eleito para o próximo biênio. Ficaríamos absurdamente contentes se tivéssemos 10% da associação japonesa. Infelizmente, no Brasil, por uma condição econômica crítica da população, da qual faz parte a comunidade odontológica, nossos apoiadores ainda são em números bem inferiores, uma pena.

A ABOPE, como representante legal dos profissionais que atuam na área de Pacientes Especiais, tem feito todo um esforço para congregar e unir esses dentistas, mais de 600 especialistas espalhados por todo o país.

Quem sabe em um futuro próximo, com novas esperanças, novos ares, novas cabeças pensantes no Brasil, não tenhamos boas notícias em médio prazo? Vamos torcer. Nossa especialidade merece e os nossos pacientes mais que especiais esperam profissionais mais comprometidos com essa causa.


jose reynaldoJosé Reynaldo Figueiredo
Cirurgião-dentista. Doutor em Ciências Odontológicas. Mestre em Deontologia e Odontologia Legal. Especialista em Odontopediatria. Especialista em Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais. Especialista em Implantodontia. Vice-Presidente da Associação Brasileira de Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais (ABOPE). Membro do Conselho e do Comitê de Educação da iADH (International Association for Disability and Oral Health). Membro do Grupo de Trabalho, do Ministério da Saúde referente às “Diretrizes de Atenção à Saúde Bucal da Pessoa com Deficiência no SUS”. Responsável pela “Clínica Sorrisos Especiais”. 

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