Uma associação especial para os pacientes especiais

criança com síndrome de down

No Brasil, a Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais (OPNE) surgiu em consequência de movimentos de grupos de cirurgiões-dentistas interessados em aprimorar seus trabalhos e diminuir suas dificuldades no tratamento das pessoas com deficiências, até então denominadas “excepcionais”. Essas ações culminaram com a formação do Grupo de Estudos de Odontologia para Excepcionais (GEOEx), criado em março de 1973 e que foi apoiado pela Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (APCD).

Em 1976, já como uma entidade nacional, passou a ser denominada Sociedade Brasileira de Odontologia para Excepcionais (SBOEx), que foi convidada a se filiar à International Association of Dentistry for the Handicapped (IADH), com intuito de compartilhar pensamentos e objetivos comuns. No ano de 1979, esta Sociedade passou a se chamar Associação Brasileira de Odontologia para Pacientes Especiais – ABOPE.

Nas suas atividades, a ABOPE chamou a atenção de outros profissionais ligados à área de saúde, para fortalecer uma atuação multidisciplinar. A ABOPE tem como objetivo promover atividades científicas odontológicas e multidisciplinares, atuar como fórum de debates para troca e divulgação de informações na área da OPNE e representar a comunidade odontológica perante organizações nacionais e internacionais.

A IADH realiza congressos internacionais a cada dois anos, em vários locais ao redor do mundo. O nome da associação foi, entretanto, alterado para “International Association for Disability and Oral Health”, para refletir a filosofia social atual e também para abranger todos os aspectos da saúde bucal, do indivíduo e não apenas a Odontologia. Com a “expertise” de ter realizado dois congressos da especialidade, com ótima repercussão nacional e internacional, a ABOPE foi convidada pela IADH para realizar o 19º Congresso Internacional da IADH, no Brasil, em outubro de 2008, na cidade de Santos, São Paulo.

O Congresso de Santos é, até hoje, considerado um dos melhores realizados no mundo, trouxe uma repercussão sem precedentes para a Odontologia brasileira. A Dra. Leda Mugayhar, ex-presidente da ABOPE tornou-se presidente da IADH naquele período, e atualmente o Dr. Marcello Boccia é um dos sete representantes da Diretoria Executiva dessa entidade internacional.

Nos últimos anos, a ABOPE organizou congressos nacionais na cidade de Barretos, São Paulo e Brasília, e com o apoio das comunidades locais, os eventos tiveram sucesso na divulgação da especialidade pelo Brasil.

O Brasil também foi representado pela ABOPE junto a Comissão de Educação IADH, que iniciou o desenvolvimento de uma orientação curricular de graduação em OPNE por meio de um processo de consenso envolvendo os principais especialistas nessa disciplina de 32 países. Dentre os 74 profissionais, participaram pelo Brasil a Dra. Leda Mugayar, a Dra. Danielle Monsores Vieira Ferreira e eu, Dr. José Reynaldo Figueiredo. Este documento, lançado no Congresso da IADH, em outubro de 2012, em Melbourne (Austrália), com a proposta curricular, fornece resultados para uma aprendizagem baseada em evidências, projetado para ser centrado no aluno e com a flexibilidade para ser facilmente incorporado aos currículos de uma Odontologia contemporânea.

No ano de 2015, a ABOPE, representada por sua diretoria, conquistou o direito de realizar o 5º Congresso da Associação Latino Americana de Pacientes Especiais (ALOPE). O evento será realizado na cidade de Natal (RN), em setembro de 2017, e terá como presidente a Dra. Aquila Dantas.

A nova diretoria da ABOPE tomou posse durante o 34º Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo, realizado no mês de janeiro de 2016. Nesse momento, em que as conquistas alcançadas pela comunidade odontológica são perceptíveis pela população em geral, a ABOPE não pode se furtar de ser a legítima representante dos profissionais que militam nessa área. Somos a entidade reconhecida pela IADH, somos oficialmente representantes dos profissionais da área junto ao CFO e CROs de todo Brasil. Mas não nos basta isso. A ABOPE precisa representar seus afiliados na prática, precisa lutar pelos ideais da classe odontológica especializada em pacientes especiais, pregar respeito à Odontologia, aos pacientes e aos anseios de uma comunidade que, mais que tudo, ama sua profissão e ama ser “especial”.

A ABOPE está antenada a esses novos tempos. A discussão de soluções viáveis para os “especiais” está no nosso dia a dia, nas mídias sociais, nas universidades, nos serviços, na sociedade, no nosso consultório. Ainda na rabeira das especialidades, com pouco menos de 600 especialistas, o cirurgião-dentista tem dado provas a todo momento de atuação nessa área. Precisamos congregar esses profissionais, ouvir suas opiniões e sugestões.

Como uma entidade plural, transparente e representativa, conclamamos: “Venham juntos! Nossos pacientes merecem”.


jose reynaldoJosé Reynaldo Figueiredo
Cirurgião-dentista. Doutor em Ciências Odontológicas. Mestre em Deontologia e Odontologia Legal. Especialista em Odontopediatria. Especialista em Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais. Especialista em Implantodontia. Vice-Presidente da Associação Brasileira de Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais (ABOPE). Membro do Conselho e do Comitê de Educação da iADH (International Association for Disability and Oral Health). Membro do Grupo de Trabalho, do Ministério da Saúde referente às “Diretrizes de Atenção à Saúde Bucal da Pessoa com Deficiência no SUS”. Responsável pela “Clínica Sorrisos Especiais”. 

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