Promoção e proteção do aleitamento materno

aleitamento materno

A importância do aleitamento materno tem sido muito abordada no âmbito multiprofissional. O cirurgião-dentista, como profissional da área de saúde, está incluído neste contexto, e deve ser capaz de orientar a gestante, a puérpera e a família envolvida, haja vista a forte relação que existe entre a amamentação natural, o desenvolvimento do sistema estomatognático e a prevenção da cárie.

A amamentação tem benefícios substanciais para as mulheres e crianças de países ricos e pobres, e agora a evidência é mais forte do que nunca. Uma nova série sobre aleitamento materno, publicada na “The Lancet”, conclui que, apesar da forte saúde e benefícios econômicos da amamentação, algumas crianças são amamentadas exclusivamente até os seis meses, como recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Globalmente, estima-se que uma em cada três crianças com menos de seis meses é exclusivamente amamentada – uma taxa que não melhorou em duas décadas. Os números revelam que o aumento do aleitamento materno em nível universal poderia salvar mais de 800 mil vidas por ano, sendo a maioria crianças com menos de seis meses. Além disso, quase metade de todas as doenças diarreicas e um terço de todas as infecções respiratórias em crianças em países de baixa e média renda, poderia ser evitada com o aumento das taxas de aleitamento materno.

As crianças que são amamentadas apresentam melhor desempenho em testes de inteligência, são menos propensas a serem obesas, apresentarem sobrepeso e menos propensas a diabetes mais tarde na vida. As mães que amamentam também reduzem o seu risco de desenvolver câncer de mama e de ovário. Em taxas de aleitamento materno atuais, estima-se que 20 mil mortes por câncer de mama são impedidas e um adicional de 20 mil poderiam ser salvas se as taxas melhorassem.

Além dos benefícios psicoemocionais e nutricionais, o aleitamento materno é responsável pelo correto crescimento e desenvolvimento facial do bebê, mantendo todas as funções em equilíbrio, como a respiração nasal, adequada postura de língua, vedamento labial, deglutição normal, bom desenvolvimento dos dentes, erupção dentária equilibrada na sua sequência e cronologia, correta articulação dentária, ambiente da cavidade bucal saudável com microrganismos vivendo em equilíbrio, além disso, associada ao mecanismo de sucção, desenvolve os órgãos fonoarticulatórios e a articulação dos sons das palavras, reduzindo a presença de maus hábitos orais e também de patologias fonoaudiológicas.

Amamentar fortalece a economia

Além da saúde, a nova série apresenta um caso econômico forte por investir na promoção e proteção do aleitamento materno em todo o mundo. As conclusões da OMS estimam que as perdas econômicas globais de menor cognição associadas à amamentação não chegaram a mais de US$300 bilhões em 2012, equivalente a 0,49% do rendimento nacional bruto do mundo.

Aumentar as taxas de aleitamento materno para crianças com menos de seis meses de idade para 90% no Brasil, na China e nos Estados Unidos da América e para 45% no Reino Unido iria cortar os custos do tratamento de doenças comuns da infância, tais como pneumonia, diarreia e asma. A iniciativa também faria uma economia nos sistemas de saúde, de pelo menos, US$ 2,45 bilhões nos Estados Unidos, US$ 29,5 milhões no Reino Unido, US$ 223,6 milhões na China, e US$ 6 milhões no Brasil.

No entanto, os níveis baixos mundiais de amamentação afetam os países de alta e baixa renda. Menos de uma em cinco crianças é amamentada durante 12 meses em países de alta renda. Apenas duas em cada três crianças entre seis meses e dois anos recebem qualquer leite materno em países de baixa e média renda.

No Brasil, por meio da Coordenação-Geral de Saúde da Criança e Aleitamento Materno CGSCAM/DAPES/SAS/Ministério da Saúde, foi assinado no dia 3 de novembro de 2015 o decreto que regulamenta a comercialização de alimentos para crianças durante o período da amamentação e proíbe, entre outros pontos, que produtos que possam interferir na amamentação tenham propagandas veiculadas nos meios de comunicação, como no caso de leites artificiais, mamadeiras e chupetas. O decreto regulamenta a Lei 11.265, de 2006, firmada durante a cerimônia de abertura da 5ª edição da Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, realizada em Brasília (DF).

Proteger e promover o aleitamento materno

Embora o Código Internacional de Comercialização de Substitutos do Leite Materno tenha sido aprovado em 1981, com o objetivo de o público de estratégias de marketing inadequadas, o regulamento não foi fortemente aplicado pelos países. Como resultado, o marketing agressivo dos substitutos do leite materno está debilitando os esforços para melhorar as taxas de aleitamento, com vendas globais que devem chegar a US$ 70,6 bilhões até 2019.

Para abordar esta questão, a Iniciativa de Suporte Mundial à Amamentação, liderada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e pela OMS, em colaboração com os parceiros internacionais, fornecerá liderança para melhorar as taxas de aleitamento materno. Como o primeiro passo, a OMS e o UNICEF criaram uma rede de vigilância global e apoio à implementação do Código Internacional, com o objetivo de fortalecer a capacidade de monitoramento do código, a adesão e implementação.

Além de combater a comercialização de substitutos do leite materno, os países precisam investir em políticas e programas que apoiem o aleitamento materno das mulheres. Sistemas de apoio aos cuidados de saúde, licenças-maternidade adequadas, as intervenções no local de trabalho, aconselhamento e programas educacionais podem ajudar a melhorar as taxas de aleitamento materno.

A amamentação também tem sido identificada como uma intervenção de alto impacto para alcançar a Estratégia Global da Saúde da Mulher, Criança e Adolescente (2016-2030), que foi lançada juntamente com os objetivos de desenvolvimento sustentável como um roteiro para acabar com as mortes evitáveis em uma geração.

A amamentação é importante para a sobrevivência da criança em todos os ambientes, mas também para garantir que as crianças possam prosperar e alcançar seus potenciais cognitivos e de desenvolvimento completo ao longo de suas vidas.


helenice_biancalanaHelenice Biancalana
Cirurgiã-dentista. Especialista em Odontopediatria e em Ortopedia Funcional dos Maxilares. Mestre em Saúde da Criança e do Adolescente. Diretora do Departamento de Prevenção e Promoção de Saúde da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (APCD-Central). Diretora da Associação Paulista de Odontopediatria – APO.

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