Cárie ainda impede brasileiro de sorrir

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No Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 11% da população adulta já perdeu todos os dentes. O problema se agrava quando sabemos que 41,5% das pessoas com mais de 60 anos já não têm nenhum dente natural na boca – demonstrando que os cuidados com a saúde oral têm muito que melhorar ainda. Contraditoriamente, o país concentra 20% de todos os cirurgiões-dentistas do mundo.

Na opinião de Aonio Vieira, professor da Escola de Aperfeiçoamento Profissional da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (APCD), não dá para sorrir com dor de dente. “A gente sempre ouve os pacientes dizendo que a dor de dente é uma das piores dores que uma pessoa consegue suportar. Exagero ou não, nesse caso é muito mais eficiente recorrer a um cirurgião-dentista do que apelar para anestésicos vendidos em farmácias, bochechos com aguardente ou mesmo colocar comprimidos anti-inflamatórios na cavidade. Afinal, somente um profissional poderá identificar a causa real da dor, que pode ou não estar relacionada a uma cárie”.

O especialista afirma que a dor de origem dentária é muito versátil e pode variar de moderada a intolerável. “Vários estímulos podem desencadear dor de dente. Desde o toque e a pressão até o contato com alimentos muito quentes ou gelados, ou ainda com doces. Pode ser intermitente, contínua, ou ainda apresentar picos de dor lancinante – que se irradia por toda a cabeça e deixa o paciente prostrado, sem condições de se concentrar nos estudos ou no trabalho. Por isso é tão importante que o cirurgião-dentista faça o diagnóstico acertado dessa dor e dê início imediato ao tratamento. Dores relacionadas com a boca e os dentes podem ser causadas por cárie, inflamação do canal, doenças na gengiva ou nos ossos, próteses mal adaptadas, problemas de oclusão e, inclusive, na articulação temporomandibular (ATM). Até mesmo sinusites, nevralgias e tumores podem dar a impressão de dor de dente. Sendo assim, metade do sucesso do tratamento está na identificação dessa dor – e isso as pessoas não encontram na farmácia nem entre amigos, somente no consultório dentário”.

Vieira acredita que 95% dos problemas odontológicos poderiam ser evitados de uma forma muito econômica: escova de dentes com cabeça pequena e macia, pasta e fio dental. “Uma excelente higiene bucal, que deve ser ensinada de pais para filhos desde a mais tenra infância, é a forma mais barata de sorrir com uma boca saudável. Mesmo para quem já investiu bastante em tratamentos dentários, ao aprimorar a técnica de escovação e limpeza diária terá resultados prolongados por mais tempo, representando mais economia e qualidade de vida”, diz o especialista – lembrando que, ao negligenciar a saúde bucal, haverá acúmulo da placa bacteriana que libera ácidos que provocam cárie e corroem a superfície das restaurações.

Aonio ainda lembra que o serviço pesado é realizado mesmo pelo fio dental e pela escova – que deve ser trocada a cada dois meses. “Na higienização da boca, somente 5% da eficiência são atribuídos ao desempenho do creme dental, que tem um papel mais importante em termos de proporcionar sensação de limpeza e hálito fresco. Portanto, é preciso orientar aos pacientes sobre a quantidade de pasta na escova. Se ela cobrir metade das cerdas já está bom. Outra dica importante para evitar cárie e, consequentemente, dor de dente é reduzir o máximo possível a ingestão de açúcar. Quando a tentação ou a necessidade falar mais alto do que a prudência, daí é importante fazer bochechos com bastante água corrente logo em seguida. Só assim haverá algum controle da ação das bactérias na boca, evitando o surgimento de cárie e, consequentemente, da dor”.

Fonte: APCD

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