Alteração no paladar durante o tratamento de câncer

Durante o tratamento de câncer, muitos sintomas e efeitos colaterais podem aparecer. Queda de todos os pelos do corpo, enfraquecimento das unhas, ganho ou perda significativa de peso e diminuição da libido. Além desses mais conhecidos, a maioria dos pacientes também apresenta alteração no paladar, no sabor e no cheiro dos alimentos, o que é extremamente desconfortável e prejudica o apetite.

O gosto metálico e demais alterações no paladar ocorrem por conta de uma modificação nas células dos botões gustativos. Esses botões, que são terminações nervosas localizadas na língua, são capazes de perceber alguns tipos diferentes de sabores: doce, amargo, azedo, salgado e umami (sabor específico para glutamato, encontrado em carnes, queijos e frutos do mar).

O sabor doce é geralmente o primeiro a ser alterado ou perdido, provocando um aumento do sabor amargo ou salgado. Com isso, surge a sensação de gosto metálico na boca, ou até mesmo a diminuição geral de todos os sabores. “O sabor umami é alterado a partir da terceira semana de tratamento, e isso pode produzir um impacto significativo na qualidade da dieta”, afirma o cirurgião-dentista Eduardo Rollo, periodontista e especialista em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial.

Imagem: Assessoria de Imprensa
Imagem: Assessoria de Imprensa

Segundo o especialista, que também é colaborador científico do Instituto Quimioterapia e Beleza, a gustação é uma importante propriedade de defesa do corpo, e produz a sensação do sabor que nos permite distinguir alimentos potencialmente perigosos daqueles deliciosos e agradáveis. Esse sistema de sabores pode rejeitar o sabor amargo, que indica que o alimento pode conter toxinas. O sabor azedo também auxilia a indicar que o alimento pode estar ácido, fermentado e até mesmo estragado.

Muitos pacientes podem ter suas percepções de sabores normalizadas após o término do tratamento, mas até que isso aconteça, é extremamente importante o acompanhamento nutricional para manutenção de uma dieta que contribua para o tratamento. Além disso, recomenda-se que todo paciente que está iniciando o tratamento de câncer seja encaminhado para avaliação odontológica e tenha esse acompanhamento durante todo o tratamento. “Os efeitos orais adversos do tratamento do câncer devem ser cuidadosamente avaliados, pois também podem produzir diminuição na salivação e inflamações na boca, como mucosites e gengivites”, alerta o dentista.


Fonte: Assessoria de Imprensa

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