A crise econômica e a saúde oral dos brasileiros

crise econômica

Por: Vanessa Navarro

O Dr. André Martins, cirurgião-dentista do Instituto Israelita de Responsabilidade Social Albert Einstein, fala sobre este tema delicado e que muito preocupa a classe odontológica.

Local Odonto –
A atual crise econômica enfrentada pelo Brasil e por grande parte dos países do mundo pode interferir na saúde bucal da população?
Dr. André Martins – Sem dúvida um dos assuntos mais comentados atualmente é a crise. Crise econômica, crise hídrica, aumento da violência, aumento do desemprego e alta do dólar. Todas essas preocupações tornam cada vez mais o nosso dia a dia estressante e as incertezas com o futuro nos deixam cada vez mais ansiosos. A primeira reação que temos diante de todos esses problemas é cortar gastos e economizar. Cortamos despesas pessoais, saídas para jantar, viagens dos sonhos, escola de futebol do filho, etc.
Quando falamos da nossa saúde não podemos deixar de nos cuidar, mais especificamente com os cuidados com nossa saúde bucal.
Diante da crise, as pessoas ficam mais estressadas podendo desencadear alguns problemas, como o ranger e/ou apertar dos dentes. Isso pode causar desde uma cefaleia, problemas periodontais até mesmo a quebra de uma restauração ou prótese. Outras pessoas ficam mais ansiosas e passam a ingerir mais alimentos, principalmente alimentos que causam sensação de prazer, como é o caso dos chocolates. Isso faz com que a chance dessa pessoa ter uma lesão cariosa seja maior.
Grande parte desses problemas pode ser prevenida com visitas regulares ao dentista, evitando assim, uma despesa maior.
Vou citar um breve exemplo: um paciente que está em constante estresse, sofrendo com ranger dos dentes e cefaleia, evita, na maioria das vezes, o tratamento odontológico e insiste permanecer assim. Com a crise econômica, o paciente evita procurar um cirurgião-dentista e vai levando esse problema até a quebra um dente. Quando procura um dentista para resolver, o diagnóstico é de fratura dentária e perda total do elemento dentário. Se esse paciente tivesse buscado ajuda no início o tratamento seria muito mais conservador. Em um exame preventivo seria feito uma revisão em suas restaurações e/ou próteses, indicando, por exemplo, uma placa miorrelaxante e realizado um ajuste para equilibrar a oclusão. Esse tratamento preventivo teria lhe custado muito menos.
Diante do atual cenário econômico, as visitas regulares ao cirurgião-dentista se tornam cada vez mais importantes. Essas visitas variam de acordo com cada paciente e suas necessidades. Mas, em geral, pelo menos duas vezes ao ano.

Local Odonto – Em uma época complicada, quando a população se reeduca financeiramente, como deve ser feita a conscientização de que a saúde bucal interfere na saúde geral do indivíduo?
Dr. André Martins – Essa conscientização deve ocorrer em todas as faixas etárias. Com as crianças é importante falar e mostrar que o cuidado com a saúde bucal deve ser feito desde muito pequeno.
A participação dos cirurgiões-dentistas nos ambientes escolares tem ajudado a realização desse trabalho preventivo e educativo. São realizadas escovações supervisionadas, aplicação de flúor e palestras.
Nas Unidades Básicas de Saúde existem grupos educativos para falar sobre a importância da saúde bucal, grupos de tabagismo, grupos de pacientes crônicos como diabetes e grupo de gestante para realização do pré-natal odontológico. Hoje já existe a participação de dentistas nas campanhas de vacinação contra gripe para pessoas idosas. O profissional consegue abordar esses pacientes e realizar prevenção do câncer de boca. Recentemente foi aprovado um projeto de lei que obriga a presença de um dentista na UTI. Tudo isso vem para mostrar que a saúde começa pela boca.

Local Odonto – Neste momento, quais são as medidas tomadas pelo Governo em relação à saúde bucal da população brasileira?

Dr. André Martins – A saúde bucal cada vez mais vem ganhando sua devida importância nas políticas de saúde pública. A fluoretação da água, apesar de já existir há algum tempo, é uma ação que contribui muito para prevenção da doença cárie. A inserção da equipe de saúde bucal dentro da Estratégia da Saúde da Família (ESF) foi uma iniciativa de grande importância do ponto de vista da saúde bucal, pois o dentista consegue trabalhar de forma integrada com equipe multiprofissional, como médicos, enfermeiros, fonoaudiólogos, nutricionistas, entre outros.
Outra iniciativa do governo foi a criação do CEO (Centro de Especialidade Odontológico). Nesses centros, os dentistas da Atenção Básica conseguem encaminhar um paciente que apresente um problema de maior complexidade. Todas essas medidas visam garantir ações de promoção, prevenção e recuperação da saúde bucal dos brasileiros, fundamental para a saúde geral e qualidade de vida.

 


andre martinsAndré Martins Camargo Barbosa é cirurgião-dentista no Instituto de Responsabilidade Social do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo e especialista em Implantodontia pelo INEPO – Instituto Nacional de Experimentos e Pesquisas Odontológica. 

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