Você conhece a acreditação odontológica?

Por: Vanessa Navarro

Definida como um método de avaliação voluntário, periódico e reservado, que busca a qualidade da assistência por meio de padrões previamente definidos, a acreditação tem a segurança do paciente, a integração de processos e a melhoria contínua da qualidade dos serviços como principais focos.

De acordo com informações da especialista em Gerenciamento de Enfermagem e Administração Hospitalar, Andrea Righi, as primeiras iniciativas de acreditação surgiram no Brasil no início dos anos 1990, um período bastante significativo, pois marca o início da implantação do Sistema Único de Saúde. “Durante essa primeira década, porém, as iniciativas eram locais. Não existia um método de avaliação usado em todo o país, que atendesse instituições com diferentes tamanhos e especialidades. Isso só foi possível a partir da criação da ONA (Organização Nacional de Acreditação), em 1999, com apoio da OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde), do Ministério da Saúde e da Anvisa. Hoje a ONA é uma entidade independente, que tem entre os membros de seu conselho representantes de diversos setores da saúde”, esclarece a profissional de saúde, também gerente de certificação da ONA.

Acreditação na área odontológica

Já muito conhecida na área hospitalar, a acreditação passou a ser percebida também nos bastidores odontológicos. Andrea Righi explica que existia uma demanda por parte dos profissionais da área, que procuravam as IACs (Instituições Acreditadoras Credenciadas) para saber como poderiam ter seus consultórios acreditados. “A ONA já fazia avaliação de clínicas odontológicas, mas somente aquelas inseridas no ambiente de organizações hospitalares em processo de avaliação para acreditação. Os riscos envolvidos, claro, não são exatamente os mesmos dos consultórios independentes e de menor porte. Para sanar esse problema, desenvolvemos normas e padrões específicos, em parceria com a Associação Brasileira de Cirurgiões Dentistas – ABCD. O manual foi lançado em junho de 2012”.

O manual para a avaliação de serviços odontológicos foi desenvolvido com base nos fundamentos da acreditação adotados pela ONA. A gerente de certificação da organização esclarece que foram criados padrões especificamente para clínicas odontológicas, padrões que atendem à especificidade desse tipo de serviço. “Além disso, foram adaptados requisitos universais de segurança, que se aplicam a outros tipos de organização. Isto ocorreu no segundo semestre de 2011, em parceria com a Associação Brasileira de Cirurgiões-Dentistas – ABCD e outros profissionais da área. A principal diferença é a seção que faz referência específica à assistência odontológica. Outras questões, como a avaliação de fornecedores e da formação adequada dos profissionais, são igualmente importantes em qualquer serviço de saúde”.

No caso dos consultórios odontológicos fora de hospitais, por exemplo, Andrea Righi, que também é pós-graduada em Gestão da Qualidade em Saúde, aponta que é uma questão fundamental avaliar o grau de complexidade das cirurgias ali realizadas – se é compatível com a infraestrutura oferecida e se, de fato, o procedimento pode ser feito no local com segurança. Esterilização de materiais, risco de infecções, terapias profiláticas e uso de antibióticos também são pontos de preocupação. “O Brasil conta, hoje, com três serviços odontológicos acreditados no Brasil, todos são públicos e estão no Ceará”.

Aderir à acreditação traz grandes vantagens para os profissionais de Odontologia e para os pacientes. Para o profissional e para a organização, a acreditação é uma ferramenta para a melhoria constante de seus processos, que pode levar à excelência no atendimento, melhores resultados assistenciais e também a uma gestão mais eficiente dos recursos. “Aderir à acreditação revela responsabilidade e comprometimento com a segurança, com a ética profissional, com os procedimentos que realiza e com a garantia de qualidade do atendimento à população”, enfatiza a gerente de certificação da ONA. “Para o paciente, a acreditação é uma forma fácil e objetiva de avaliar a segurança e a qualidade do serviço e instituição”, completa.

O passo a passo do processo de acreditação odontológica

O processo de acreditação começa por iniciativa da instituição de saúde. De acordo com Andrea Righi, o primeiro passo é escolher uma Instituição Acreditadora Credenciada pela ONA (IAC) e se submeter a uma avaliação. “Geralmente as instituições precisam promover melhorias nos processos de trabalho e na estrutura para conseguirem a acreditação. Para identificar esses pontos críticos, as clínicas podem fazer, antes da avaliação, um Diagnóstico Organizacional, que é feito por avaliadores da IAC e leva em conta todos os critérios de uma avaliação para acreditação, mas, nesse caso, serve apenas para orientar a instituição o quanto ainda precisa ser feito para que os padrões e requisitos sejam atendidos”.

O trabalho de adequação leva, em média, dois anos, mas varia de acordo com as características da instituição avaliada, como tamanho, complexidade e perfil da organização.

Quando a instituição julgar que está pronta para ser acreditada, é agendada a visita de avaliação. A gerente de certificação da ONA explica que a visita dura em média de dois a três dias. “Uma equipe de avaliadores com experiência em gestão da qualidade e segurança do paciente percorre toda a organização, entrevistando gestores, funcionários e pacientes, analisando indicadores e protocolos, avaliando a qualidade e a segurança da assistência prestada”.

Após a visita, a equipe de avaliadores tem 20 dias para elaborar o relatório completo, que segue para a ONA. Em até 30 dias, a ONA homologa o resultado e, caso a instituição tenha sido acreditada, emite o certificado e divulga o resultado no seu portal.

A especialista em Gestão da Qualidade em Saúde elucida que a organização pode ser acreditada em três níveis: Acreditado (nível 1) – significa que a organização atende ao princípio de segurança; Acreditado Pleno (nível 2) – atende aos princípios de segurança e gestão integrada; e Acreditado com Excelência (nível 3) –  atende aos princípios de segurança, gestão integrada e excelência em gestão. “Em média, as organizações levam até seis anos para atingirem o nível 3. Chegar a esse nível está diretamente ligado à maturidade das organizações no que diz respeito à segurança do paciente e à gestão da qualidade”.

Durante o período de validade do certificado, a instituição precisa manter o desempenho identificado no processo de avaliação. Para monitorar se isso ocorre, a equipe de avaliadores visita as instituições certificadas periodicamente. “Após o período de validade do certificado, que pode ser de dois ou três anos, a instituição é submetida a uma nova avaliação para saber se será certificada novamente ou não e em que nível”, enfatiza a gerente de certificação da ONA.

A acreditação é uma forma objetiva de avaliar a segurança e a qualidade e, por isso se torna, sem dúvida, um fator de diferenciação entre concorrentes. “A acreditação é um selo de qualidade que ajuda a diferenciar uma clínica das demais. Ao ser acreditada, uma clínica mostra aos seus pacientes que busca a segurança e a qualidade do serviço em primeiro lugar. Se preocupar com esses fatores e deixar isso evidente para os pacientes se torna um valor agregado”, conclui Andrea Righi.

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