ANS propõe melhoria no atendimento dos planos odontológicos

O “Projeto Sorrir”, lançado no dia 22 de setembro, estimula as operadoras de planos odontológicos a implementarem um modelo de cuidado mais qualificado, com foco na prevenção e na valorização das boas práticas. Além de benefícios para os pacientes, a medida resultará em vantagens para operadoras e prestadores, com a redução de custos, utilização de protocolos clínicos e bonificação em indicadores de qualidade.

O projeto foi desenvolvido com a participação de representantes do setor e da área acadêmica. A adesão é voluntária: as operadoras de planos odontológicos que quiserem fazer parte deverão se inscrever e cadastrar os prestadores interessados.

O projeto será implementado ao longo de nove meses e, nesse período, sua aplicação será acompanhada e monitorada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Ao final, será possível mensurar os desfechos obtidos pelos participantes e comparar com os resultados de quem não faz parte da iniciativa.

“Hoje, quando se fala em cuidados odontológicos, a maioria dos planos de saúde trabalha com foco na produção de volume de procedimentos, remunerando pela quantidade. Além de não ser sustentável, a prática não privilegia a boa atenção clínica. Para mudar esse cenário, o “Projeto Sorrir” propõe a reorganização da prestação dos serviços, atrelando o cuidado à qualidade e não à quantidade de procedimentos, além da adoção de formas alternativas de remuneração dos prestadores”, explica a diretora-adjunta de Desenvolvimento Setorial da ANS, Michelle Mello. “A inovação é a busca do resultado em saúde, o que trará benefícios a todos os participantes do sistema – pacientes, operadoras e prestadores”, destaca.

Planos odontológicos: estrutura do modelo proposto

O arranjo de prestação dos serviços que está sendo proposto é baseado nas seguintes premissas: divisão do cuidado em quatro módulos que compõem a prevenção e o tratamento, com utilização de protocolos clínicos; introdução de um gestor do cuidado responsável pela coordenação da atenção prestada ao beneficiário; avaliação das ações por meio de indicadores e medidas de qualidade; utilização de uma medida de qualidade na composição da remuneração do prestador de serviço; e novas formas de comunicar esse novo modelo e agregar valor para o beneficiário e para o prestador. Na proposta, 70% do cuidado é focado na atenção básica, onde um profissional de referência é encarregado da atenção.

“Quando o paciente precisar de assistência especializada – tratamento de canal, por exemplo – será encaminhado para outro profissional capacitado e depois voltará para o profissional de referência. Paralelamente, a operadora, como gestora do cuidado, terá um sistema de informação que permite acompanhar o tratamento, verificar a necessidade de retorno e comunicar ao beneficiário. Com isso, é possível fazer o monitoramento tanto da atenção que ele está recebendo quanto da atenção dos prestadores. E os melhores prestadores também serão remunerados pela melhor prática”, explica a diretora.

Para Fabiano Mello, do Conselho Federal de Odontologia (CFO), a iniciativa é audaciosa e de fundamental importância para que esse segmento da saúde consiga mensurar a real necessidade de trabalhar com Odontologia baseada em evidências e para que se possa trabalhar os conceitos de prevenção e promoção da saúde. “Estamos juntos nesse projeto, para que o profissional consiga ser mais bem remunerado, levando uma satisfação maior ainda para os beneficiários dos planos de saúde”, afirma.

Marcos Costa, da Odontoprev, destaca a importância da iniciativa para a sustentabilidade do negócio. “Melhorando a qualidade e o sucesso dos tratamentos, esperamos conseguir uma eficiência maior, inclusive de custeio, e acreditamos que essa eficiência possa traduzir-se em melhores rendimentos para o profissional, melhores resultados para as operadoras e além, é claro, do objetivo primário, aprimorar a qualidade e a satisfação para o usuário”.

“Eu achei esse projeto extremamente interessante, pois possibilita à academia, no caso nós, professores, nos aproximarmos da prática que é realizada pelos profissionais que atendem pelos planos de saúde. Permite, ainda, que nosso conhecimento saia dos muros universitários e realmente chegue onde ele deve estar, trazendo benefícios e melhoria de qualidade de vida para os pacientes”, destaca Inger Tuñas, do Departamento de Odontologia Social e Preventiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O professor Ricardo Fischer, da UFRJ, concorda. “Essa é uma boa iniciativa para que haja essa interação com a área acadêmica e isso se reflita numa melhor prática odontológica em benefício da população”, assegura.

O crescimento do mercado de planos de saúde odontológicos está permitindo que mais brasileiros tenham acesso a tratamento de qualidade. Hoje, são 22,3 milhões de beneficiários em planos exclusivamente odontológicos no país. Em seis anos, o setor cresceu 62,8% – em 2010, eram 13,7 milhões de beneficiários. Somente em 2015, foram realizados 171,2 milhões de procedimentos odontológicos pelos planos de saúde, incluindo consultas, exames, procedimentos preventivos e próteses, entre outros.


Fonte: ANS

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