Prevenção: boca saudável, corpo saudável

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Para tentar reduzir o triste índice de 5.000 brasileiros mortos por ano por causa de câncer bucal, a Associação Brasileira de Cirurgiões-dentistas (ABCD) inicia neste mês a campanha de prevenção de câncer bucal “Sorria para a Vida”, que realiza ações durante o ano, em diferentes localidades do País.

A primeira ação da campanha de 2016 será na próxima sexta-feira, dia 18 de março, na Av. Paulista, 1.313, das 9h às 17horas, em frente ao prédio da FIESP. Essa primeira ação chama a atenção para o Dia Mundial de Saúde Bucal, comemorado em 20 de março em todo o mundo.

Sorriso como indicador de saúde geral

O tema de 2016 é “Tudo Começa Aqui: Boca Saudável, Corpo Saudável”, inserindo o sorriso com saúde como indicador de saúde geral. Além de focar o principal grupo de risco da doença, que são homens e mulheres adultos, fumantes ou alcoolistas, a ABCD reforçará a atenção para jovens que nunca fumaram ou beberam, mas que estão em uma faixa etária que tem apresentado grande aumento de incidência de câncer bucal por causa de contato sexual intenso e desprotegido, que leva à infecção pelo papiloma vírus (HPV), e pode dar origem ao câncer bucal. O Brasil tem a terceira maior incidência de câncer bucal do mundo, atrás apenas da Índia e da República Tcheca.

O slogan deste ano também traz em sua conotação o momento de celebrar os benefícios da saúde bucal e da importância da higiene bucal na saúde integral, em todas as idades: crianças, jovens, adultos e idosos. O conceito ainda chama a atenção para as inúmeras doenças sistêmicas que têm a boca como porta de entrada e como a preservação da saúde e do bem-estar também está associada à preservação da saúde bucal.

HPV: um novo inimigo e mais agressivo

O câncer de cabeça e pescoço, antes comum em idosos com próteses dentárias mal adaptadas e homens com 50 anos ou mais, fumantes e consumidores de bebidas alcoólicas em excesso, apresenta agora crescimento rápido de incidência entre pessoas mais jovens, entre 35 e 45 anos, com hábitos saudáveis; não usam próteses dentárias não fumam, não bebem ou bebem pouco.

A questão tem gerado muita preocupação na área da saúde. Especialistas e pesquisadores perceberam que, nesses casos, os tumores foram ocasionados por um novo fator: o papiloma vírus, popularmente conhecido como HPV. A falta de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DST) entre essa faixa etária, de 35 a 45 anos, tem causado o aumento de casos de câncer de cabeça e pescoço como, por exemplo, boca, língua, garganta, faringe e laringe.

Adolescentes na mira

A população mais jovem, ainda adolescente, que tem uma vida sexual ativa, múltiplos parceiros e contatos sexuais sem proteção, por falta de conscientização, também está no grupo de risco de incidência do HPV e, consequentemente, de casos da doença.

O HPV provoca tumores especialmente na parte posterior da boca (orofaringe, amígdalas e as áreas da base da língua) e, muitas vezes não produz lesões visíveis ou descolorações, que têm sido historicamente os sinais de alerta precoce do processo da doença.

“Enquanto os danos nocivos do tabaco exigem uma exposição prolongada ao produto, de 15 a 30 anos para desenvolver uma lesão cancerígena, o HPV age muito rapidamente”, alerta o presidente da Associação Brasileira de Cirurgiões-dentistas (ABCD), Silvio Cecchetto.

Estudo publicado pelo Hospital A. C. Camargo na revista científica International Journal of Cancer aponta que 32% dos tumores de boca em jovens têm associação com o HPV. Além disso, em amígdala, até 80% dos casos estão associados ao vírus. Há 10 anos, essa associação existia em apenas 25% dos casos, ou seja, houve um crescimento superior a 300%, números que justificam a cobertura da prevenção também para o público jovem.

A prevenção da doença é bastante simples. Evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e de tabaco, em qualquer uma das inúmeras formas comercializadas. Outro cuidado essencial e fazer uso de proteção durante os contatos sexuais, mesmo que não haja relação sexual, um alerta importante para os adolescentes. Na literatura médico-odontológica há descrição de tumores cancerígenos de boca e pescoço causados por HPV em jovens que nunca tiveram relações sexuais. A vacinação completa contra o HPV é outro fator de prevenção muito importante. Consultar um cirurgião-dentista regularmente deve fazer parte das medidas preventivas porque esse profissional é o mais treinado a detectar precocemente lesões cancerígenas na boca e na garganta.

São também importantes as condições de ter uma alimentação saudável; ter uma boa higiene bucal; manter próteses dentárias sempre em bom estado; evitar exposição ao sol e usar protetor labial.

Prevenção e atenção aos sintomas

Independente da causa, os sintomas do câncer de cabeça e pescoço são iguais. A presença de nódulos nas vias aéreas digestivas, como na garganta e no pescoço, por mais de 15 dias é um dos sinais de tumor. No caso das cordas vocais, os sintomas são: dor, rouquidão e alteração da voz por mais de 15 dias. A presença de aftas na boca ou na língua e mau hálito também merecem atenção, principalmente se não regredirem em duas semanas.

O tratamento também é o mesmo e pode ser feito de três formas: cirurgia, radioterapia e quimioterapia. No entanto, os tumores ocasionados por HPV são mais sensíveis ao tratamento radioterápico e têm mais chance de cura se comparados aos ocasionados pela exposição ao cigarro, por exemplo.

Se até há alguns poucos anos, a doença raramente atingia jovens com menos de 40 anos, hoje o câncer bucal está aparecendo em pessoas cada vez mais jovens. “Em uma das ações da ‘Sorria para a Vida’ no ano passado, na cidade de São Paulo, a equipe de cirurgiões-dentistas voluntários da ABCD ficou admirada com o caso de lesões cancerígenas causadas por HPV em uma jovem de apenas 22 anos de idade”, relata o presidente da ABCD.

Expectativas

Silvio Cecchetto diz que a expectativa da ABCD é atender cerca de oito mil pessoas, em 26 ações realizadas entre março e novembro deste ano, em consultório móvel instalado em uma Odontovan, estacionado nos locais de grande circulação de pessoas, com atendimento feito por cirurgiões-dentistas voluntários.

No ano passado, a ABCD promoveu ações em 20 localidades, com o atendimento gratuito de 4.890 pessoas e o diagnóstico de 390 casos suspeitos encaminhados para exames aprofundados e tratamento. “Esse é outro aspecto importante da ‘Sorria para a Vida’ – destaca Cecchetto – porque a campanha não apena diagnostica possíveis lesões cancerígenas como também encaminha esses casos para análises mais precisas e tratamento em hospital especializado, se for necessário”.

A campanha deste ano, além da ABCD/FDI, tem como realizadores a Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo), Associação Paulista de Cirurgiões-dentistas (APCD) e Conselho Regional de Odontologia (CRO-SP).


abcdbrasil.org.br

 

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