Má higiene bucal pode afetar o coração

dente e estetoscópio

Os cuidados que se têm com a saúde devem ser aplicados, igualmente, à higiene bucal. Quem não tem o hábito de escovar os dentes após as refeições pode desenvolver a periodontite, inflamação que atinge a gengiva; esta inflamação facilita a entrada de bactérias que habitam na boca, por meio da corrente sanguínea, e assim poderá atingir o coração – processo chamado de endocardite.

Mau hálito, infecções e inflamações na gengiva, problemas nos dentes e até nos ossos da mandíbula – tudo isso pode ser consequência má higiene bucal e da escovação deficiente. Por isso, é importante tomar alguns cuidados diários com a saúde bucal. No entanto, vale lembrar que a gengiva inflamada pode prejudicar também a saúde do coração.

Em apenas 1 ml de saliva há aproximadamente 150 milhões de bactérias, que podem causar inflamações na gengiva ou no tecido que une os dentes ao osso, levando à mobilidade dental ou à perda do dente. Inflamados, os tecidos se tornam irritáveis e podem sangrar durante a mastigação, escovação ou limpeza com fio dental. A partir desse sangramento, há a possibilidade destas bactérias adentrarem à corrente sanguínea, chegando a outras partes do organismo.

Segundo o cardiologista do Clinic Check-up HCor (Hospital do Coração), Dr. César Jardim, estas bactérias existentes na cavidade bucal podem atingir a corrente sanguínea e provocar infecção nas válvulas cardíacas. “Esse processo pode ser tão perigoso que, em caso de endocardite, existe a necessidade de internação para tratamento com antibióticos, além do risco de perda da função das válvulas e infecção generalizada”, esclarece Dr. Jardim.

Para evitar esses problemas, a principal dica é manter sempre os dentes limpos. Os restos de alimento nos dentes, consequência da má higiene bucal, são causas importantes de problemas na gengiva, inclusive pelo surgimento do tártaro. Nesse caso, no entanto, apenas o dentista pode eliminar esse tártaro com equipamentos específicos.

Causas da endocardite

A endocardite pode ser de causa inflamatória ou bacteriana, esta última costuma ser mais comum nos pacientes portadores de cardiopatias estruturais ou congênitas. Ambas podem comprometer as funções cardíacas, principalmente nas válvulas. “A doença pode ser fatal, além de possibilitar outros malefícios, como insuficiência cardíaca, AVC (acidente vascular cerebral) e infarto”, explica Dr. Jardim.

Alguns cuidados são necessários para pacientes com cardiopatia congênita ou alterações das válvulas ao realizar tratamentos odontológicos que oferecem sangramento. É preciso o uso de antibiótico antes e depois do procedimento dentário. Essa medida é necessária para prevenir que possíveis bactérias na boca circulem na corrente sanguínea e cheguem ao coração.

“Se o paciente sentir dor torácica e notar que está com perda de peso, inapetência, sangue na urina, febre persistente e fraqueza, deverá consultar um médico. Estes costumam ser os sintomas mais comuns da endocardite”, diz Dr. Jardim.

Tratamento

O tratamento consiste na administração de antibiótico, via endovenosa, aplicada em ambiente hospitalar por tempo prolongado. “É fundamental que se tenha uma higiene bucal rigorosa com o uso de fio dental, limpadores de língua e, ainda, antisséptico bucal, para afastar as chances de endocardite. Por isso, pais e dentistas devem ensinar às crianças sobre importância da higiene bucal”, finaliza Dr. Jardim.


Fonte: HCor – Hospital do Coração

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