Cuidados paliativos: nova área para a Odontologia

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A presença de um cirurgião-dentista na equipe multidisciplinar que atende à Unidade de Terapia Intensiva dos hospitais vem se tornando obrigatória. O objetivo é cuidar da saúde bucal dos pacientes internados, evitando que uma possível infecção nos dentes ou tecidos moles possa agravar ainda mais seu estado de saúde. Além disso, com o avanço do conhecimento científico e o aumento da expectativa de vida – e, consequentemente, de portadores de doenças crônicas – a especialidade de cuidados paliativos surge como um novo campo de atuação para o cirurgião-dentista.

De acordo com o cirurgião-dentista Frederico Buhatem Medeiros, que vai participar do Fórum sobre Odontologia Hospitalar no dia 28 de janeiro, durante o 34º CIOSP, evento promovido pela Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (APCD), pacientes que enfrentam graves doenças e estão recebendo cuidados paliativos costumam ter importantes restrições, incluindo o comprometimento das funções bucais. “Determinadas doenças, quando atingem um estágio avançado, comprometem de tal forma a saúde oral do paciente que fica muito difícil mastigar e engolir alimentos. Isso sem mencionar o impacto dessa limitação sobre a autoestima do doente, que sofre dor física e emocional. Por isso, temos de estar muito bem preparados para lidar com esse tipo de situação e levar o máximo conforto possível ao paciente”.

Buhatem afirma que, como membro da equipe, o cirurgião-dentista pode estabelecer o protocolo de tratamento odontológico ou o programa de manutenção no momento da admissão do paciente nos cuidados paliativos, já que problemas bucais prévios são muito comuns. Mas esse profissional também atua na prevenção e no diagnóstico das condições bucais prevalentes; identifica as doenças bucais; realiza limpeza e proteção das feridas orais; previne acidentes (deglutição de dentes com mobilidade, traumas decorrentes de mordidas na mucosa oral); elimina processos inflamatórios e infecciosos; informa e capacita a equipe de enfermagem sobre a importância e a maneira adequada de realizar higiene oral de forma sistemática nos pacientes acamados. “Por meio da eliminação de processos inflamatórios e infecciosos agudos e crônicos, bem como de uma orientação rigorosa da higiene oral, é possível reduzir a irritação e o dano tecidual e promover mais conforto”.

Nos casos de câncer, segundo o especialista, os cuidados paliativos odontológicos têm como objetivo primário manter adequada saúde bucal para evitar infecções na boca, garantir que próteses mal ajustadas não machuquem a cavidade bucal do paciente, evitar problemas de deglutição e boca seca, garantir que o doente tenha condições de se alimentar e de respirar adequadamente, além de se comunicar com médicos, cuidadores e familiares. “A falta de tratamento adequado pode comprometer ainda mais a qualidade de vida desse paciente que requer assistência multidisciplinar e interdisciplinar. Nesse caso, é muito importante que um cirurgião-dentista capacitado garanta a correta higienização bucal do paciente, impedindo que infecções oportunistas possam agravar sua doença de base ou ainda proporcionar mais um foco de preocupação e dor”.

Buhatem explica que, principalmente quando a boca do paciente está conectada a sondas e aparelhos respiratórios, o cirurgião-dentista deve prestar atenção se há desconforto e dor, se essa situação está favorecendo o aparecimento de aftas, irritação ou sangramento da gengiva, dano tecidual, alterações no paladar ou halitose. “Apesar de estar enfrentando um período bastante desgastante, é importante que o paciente não se acostume à dor e saiba que nenhum quadro atípico da saúde bucal é normal. É imprescindível que a comunicação entre cirurgião-dentista, médicos, paciente e familiares seja a melhor possível, garantindo ao doente o conforto necessário durante essa fase tão delicada, pelo menos no que diz respeito à saúde bucal”.

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