Cirurgião-dentista: atenção à perda auditiva

perda auditiva

Por: Vanessa Navarro

De acordo com Everardo Andrade da Costa, médico especialista em Otorrinolaringologia, PAIR é uma sigla simplificada nacionalmente usada para denominar uma enfermidade auditiva, designada pela da Portaria nº 19 do Ministério do Trabalho (1998) como perda auditiva induzida pela exposição ocupacional sistemática a níveis de pressão sonora elevados.

Ainda pela caracterização legal, tem como propriedades principais a irreversibilidade e a progressão gradual com o tempo de exposição ao risco. “Sua história natural mostra, inicialmente, o acometimento dos limiares auditivos, do tipo neurossensorial, em uma ou mais frequências da faixa de 3.000 a 6.000 Hz, enquanto as frequências mais altas e mais baixas poderão levar mais tempo para serem afetadas. Uma vez cessada a exposição, não haverá progressão da redução auditiva. Também com base no texto legal, seu diagnóstico costuma ser sugerido pela audiometria tonal liminar, habitual em triagens auditivas em ambientes de trabalho ruidosos, mas seu diagnóstico só pode ser firmado pelo médico por meio de uma anamnese clínico-ocupacional, exame otológico e exames audiométricos especificamente designados para cada caso”, defende o especialista.

Embora seja considerada uma doença de notificação obrigatória, o Ministério da Saúde não dispõe de índices oficiais que possam ser generalizados. Everardo explica que as estatísticas variam muito de uma região para outra e, também, em função do tempo. “Se há 30 anos, era considerada a segunda causa de perdas auditivas, perdendo apenas para a perda auditiva dos idosos, conhecida como presbiacusia, hoje em dia, nos grandes centros industriais, graças à observância de normativas técnica e legal adequadas, os casos novos são pouco frequentes e acudidos assim que se manifestam”.

Apesar da redução do problema em novos trabalhadores, ainda é muito grande a prevalência em trabalhadores antigos, pertencentes a uma geração para a qual não havia as medidas preventivas que hoje são adotadas pelos empregadores.

PAIR em cirurgiões-dentistas

Para Everardo Andrade da Costa, também mestre em Distúrbios da Comunicação e doutor em Saúde Coletiva, os odontólogos e seus auxiliares diretos constituem um importante grupo de risco para PAIR. “Por serem, em sua imensa maioria, trabalhadores autônomos, os odontólogos não têm merecido a preocupação social reinante com os trabalhadores empregados, quanto às suas condições de saúde no trabalho. Mesmo assim, existem, na literatura especializada, muitas referências nacionais e estrangeiras sobre a ocorrência da PAIR e suas consequências em cirurgiões-dentistas e seus auxiliares diretos”.

Muitos estudos têm apontado exposições a níveis de ruído bem próximos do limite de tolerância (85 dB NPS para oito horas de exposição; ou 90 dB NPS para quatro horas). “Deve-se levar em conta que a exposição dos odontólogos não é continuada, e sim intermitente. Assim, tais limites são apenas relativos. Por outro lado, devem-se considerar, também, as exposições extra ocupacionais, que se somam às do trabalho: música, motocicleta e outras. E, ainda que dentro dos limites de tolerância, uma parcela da população é mais susceptível do que a média e pode sofrer lesões, mesmo com exposições mais baixas”, explica o otorrinolaringologista.

Para os empregadores, níveis médios de exposição acima do nível de ação (80 dB NPS) já os obrigam a realizar exames audiométricos anuais e tomar medidas preventivas com seus empregados. “Isso pode ser uma boa motivação para os cirurgiões-dentistas se submeterem a audiometrias periódicas”, alerta o especialista.

Nos consultórios odontológicos, é possível citar como fontes de ruído local: as turbinas de alta rotação, os micromotores de baixa rotação, os sugadores, os compressores de ar, os amalgamadores e os fotopolimerizadores. Como ruído ambiental, é possível observar os condicionadores de ar, os rádios ou TV ligados, ruído ambiental externo, entre outros.

Por outro lado, segundo o otorrinolaringologista, a PAIR tem instalação insidiosa, lentamente progressiva nos primeiros 10 a 15 anos de exposição, e seus portadores vão se adaptando naturalmente aos sintomas iniciais e nem sempre se dão conta de já estarem lesados. A queixa de perda auditiva raramente acontece, mas são muito frequentes os zumbidos, as dificuldades para entender a fala em ambientes ruidosos e a intolerância a sons intensos. São muito mais comuns as queixas gerais, como tonturas, insônia, cefaleias, estresse, entre outras.

Qualidade de vida em foco

A PAIR provoca alterações em seus portadores, prejudicado seu bem-estar social, familiar e laboral, resultando em comprometimento de sua qualidade de vida.

Everardo explica que os zumbidos, também encontrados em muitos profissionais expostos ao ruído intenso, podem gerar irritabilidade, ansiedade, depressão, dificuldades de concentração, distúrbios do sono, independentemente de terem ou não a perda auditiva. Cabe lembrar que a PAIR não afeta a capacidade física e laborativa do cirurgião-dentista”.

Evite a perda auditiva induzida por ruído

Everardo Andrade da Costa, médico especialista em Otorrinolaringologia, lembra que as medidas de intervenção, sejam de proteção individual ou de proteção coletiva são muito relevantes.

Atente-se às dicas do especialista e cuide da sua saúde auditiva.

  • Adquira equipamentos menos ruidosos.
  • Fique atento à manutenção adequada dos equipamentos.
  • Evite o uso simultâneo de dois ou mais equipamentos ruidosos.
  • Enclausure, sempre que possível, equipamentos ruidosos, como compressores.
  • Proteja paredes, teto e piso contra a reverberação sonora.

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