Use dois pares de luvas para realizar cirurgias

De acordo com a cirurgiã-dentista Lusiane Borges, biomédica e especialista em Microbiologia, é muito comum surgirem algumas dúvidas sobre a proteção adicional do profissional de saúde em procedimentos mais cruentos. “Estudos recentes comprovam a eficácia e o custo-benefício excelente da utilização de dois pares de luvas durante as cirurgias”.

A especialista apresenta cinco motivos para a utilização de dois pares de luvas durante procedimentos cirúrgicos.

1. Usar duas luvas cirúrgicas reduz significativamente o risco de infecção à equipe da sala de cirurgia. A segunda luva ajuda a proteger contra agentes patogênicos, quando a luva externa é perfurada.

2. Para um custo relativamente baixo, o uso de dois pares de luvas ajuda a fornecer um nível elevado de proteção. Quando a luva externa é perfurada, a luva interna reduz a exposição ao sangue do paciente em 87%.

3. O uso de dois pares de luvas é recomendado para cirurgias invasivas pelo CDC, OSHA, AORN, ACS, AAOS, ICS e OMS.

4. Luvas internas coloridas podem ajudar a melhorar a segurança no trabalho. Pesquisas mostram que a maioria dos furos é minúscula, e identificada apenas após a cirurgia, não no momento do incidente.

5. Luvas internas coloridas aumentam a visibilidade quanto a perfurações nas luvas externas sintéticas de 12% a 56%, e reduzem o tempo de conscientização de 67 segundos para 42 segundos.

Referências bibliográficas

  1. Walijee J, Malay S, Chung K. Sharps Injuries: The Risks and Relevance to Plastic Surgeons. (Ferimento causado por material cortante: Os Riscos e Relevância para Cirurgiões Plásticos.) Plast. Reconstr. Surg. 131: 784, 2013.
  2. Tanner J, Parkinson H. Double gloving to reduce surgical cross-infection. (Uso de dois pares de luvas para redução de infecção cruzada cirúrgica). Cochrane Database Syst Rev. 19 de julho de 2006 (3):CD003087.
  3. Arowolo et al. Safety of the surgeon: Double-Gloving during surgical procedures (Segurança do cirurgião: Uso de dois pares de luvas durante procedimentos cirúrgicos.) SAJHIVMED Dezembro de 2014, Vol. 15, N° 4.
  4. Berguer R, Heller PJ. Preventing sharps injuries in the operating room. (Prevenção de acidentes com perfurocortantes na sala de cirurgia). Journal of the American College of Surgeons. 2004;199(3):462-467.
  5. Centers for Disease Control and Prevention (Centros de Controle e Prevenção de Doenças). Guideline for prevention of surgical site infection, 1999 (Guia para prevenção de infecção em Sala de Operação, 1999). Infection Control and Hospital Epidemiology (Controle de Infecção e Epidemiologia Hospitalar), abril de 1999, 20(4): 247-278. http://www.cdc.gov/hicpac/pdf/ssiguidelines.pdf. Acessado em novembro 2015.
  6. Manual Técnico OSHA Seção VI: Capítulo 1. Hospital Investigations: Health Hazards (Investigações Hospitalares: Riscos à Saúde). Disponível em https://www.osha.gov/dts/osta/otm/otm_vi/otm_vi_1.html. Acessado em novembro 2015.
  7. AORN Guideline for Sterile Technique from 2015 Guidelines for Perioperative Practice (Guia AORN para técnica estéril a partir das Diretrizes para a Prática Perioperatória de 2015).
  8. Statement on Sharps Safety (Declaração sobre Segurança em Materiais Cortantes). American College of Surgeons. Outubro de 2007. https://www.facs.org/about-acs/statements/58-sharps-safety. Acessado em novembro de 2015.

lusiane_borgesLusiane Borges é cirurgiã-dentista. Biomédica e Especialista em Microbiologia. Pós-Graduada em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Infecção. MBA em Esterilização. Consultora em Controle de Infecção e Epidemiologia na Área Odontológica e Hospitalar. Representante do Brasil na OSAP (Organization for Safety, Asepsis and Prevention). Coordenadora Científica da FOLA (Federação Odontológica Latino-Americana). Autora do livro“ASB e TSB Formação e Prática da Equipe Auxiliar”, Editora Elsevier, 2014.

COMPARTILHE

DEIXE UMA RESPOSTA