Tratamento odontológico ao paciente diabético

mensurando a glicose

Por: Vanessa Navarro

O tema “Abordagem clínica e cirúrgica em pacientes diabéticos” foi discutido por Marcello Gaieta Vannucci, Mestre em Ciências Endocrinológicas.

Com amplo conhecimento e experiência no assunto, o palestrante iniciou sua aula apresentando o conceito da desordem metabólica, considerada, de acordo com o Ministério da Saúde, um dos mais importantes problemas de saúde do século 21.

Segundo informações da Organização Mundial da Saúde, 20% dos adultos acima dos 65 anos apresentam diabetes mellitus (DM). “Na prática odontológica, em uma população de 2000 pacientes, podemos encontrar de 40 a 80 com diabetes, e cerca da metade desconhece sua condição”, alertou o cirurgião-dentista que também é especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofaciais.

Existem dois tipos de diabetes mellitus: o tipo 1 ou insulinodependente, que acomete entre 5 e 10% dos casos de DM; e o tipo 2 ou não insulinodependente, encontrado em 90 a 95% dos casos.

Manifestações bucais e complicações

Vannucci ressaltou que o diabetes mellitus traz consigo algumas manifestações na cavidade oral. Junto à apresentação de tais manifestações, o palestrante ofereceu dicas para possíveis tratamentos.

“Entre as prováveis alterações bucais, está a doença periodontal, caracterizada como microangiopatia e a sexta causa de complicação do diabetes mellitus. É muito importante que o clínico e o periodontista mantenham estável a condição periodontal do paciente diabético”, enfatizou o cirurgião-dentista.

Além da doença periodontal, algumas outras complicações bucais estão relacionadas à existência do diabetes. Entre elas, podemos mencionar as alterações das glândulas salivares, a presença de cárie, o risco aumentado de infecções e o retardo na cicatrização das feridas. “A anamnese completa e detalhada pode auxiliar no alívio dessas alterações. É preciso ter cautela e carinho com o paciente diabético”, lembrou o especialista.

Para esclarecer ainda mais os riscos de manifestações relacionadas à doença, o palestrante apresentou aos congressistas alguns estudos comparando os dois tipos de diabetes e a presença de doença periodontal.

Considerações para tratamento odontológico

Antes de iniciar qualquer tipo de tratamento odontológico direcionado ao paciente diabético, deve-se analisar o risco intraoperatório, evitando situações de urgência e emergência.

Vannucci expôs algumas dicas para driblar qualquer situação desconfortável para o dentista e para o paciente.

  • Atente-se à história médica do paciente. É preciso ficar atento aos níveis de glicose, medicações administradas e consultas.
  • Agende as consultas sempre pela manhã para não coincidir com os picos de atividade.
  • Assegure-se de que o paciente tenha se alimentado e ingerido a medicação usual.
  • Monitore a glicose. Mensurar sempre antes do procedimento.
  • Realize a profilaxia antibiótica.

“Durante o tratamento, a maior complicação é a hipo e a hiperglicemia. Após o tratamento é preciso ter o cuidado para o controle de infecção”, ressaltou o palestrante.

Marcello Gaieta Vannucci ainda apresentou casos clínicos demostrando o atendimento de emergência, destacando os sintomas apresentados pelos pacientes e as condutas imediatas.

Para finalizar, o cirurgião-dentista discorreu sobre o risco cirúrgico em pacientes com diabetes mellitus, mencionando os cuidados pré-operatórios essenciais para diminuir o risco cirúrgico global. “É preciso ter uma conduta cirúrgica diferenciada para pacientes com diabetes mellitus, para assim evitar baixo, médio ou alto risco de complicação”, finalizou Vannucci.

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