Garantir os cuidados com a saúde bucal desde os primeiros anos de vida é indispensável para construir um sorriso saudável e funcional ao longo do tempo. Essa fase inicial é determinante para fixação de hábitos de higiene e na promoção da prevenção, o que evita procedimentos invasivos e reduz o risco de experiências traumáticas no consultório odontológico. A presença ativa e o envolvimento dos pais são primordiais para o êxito desse processo.
Um levantamento realizado pela Odontoprev, entretanto, revela que a conscientização dos pais para agendar a primeira consulta odontológica dos filhos ocorre, em geral, apenas por volta dos sete anos de idade. Esse diagnóstico tardio preocupa, visto que o surgimento de lesões de cárie pode ter início por volta dos cinco anos ou em idades ainda mais precoces. O estudo abrange os últimos 12 meses da empresa, com base em sua cartela de mais de nove milhões de beneficiários.
Segundo o estudo, o total de consultas até os cinco anos permanece baixo, registrando 48 mil atendimentos. Essa busca por acompanhamento odontológico cresce apenas aos 7 anos, momento em que o número de atendimentos dobra e chega a 96 mil.
O dado reforça uma preocupação nacional. De acordo com a pesquisa do SB Brasil 2023 (Pesquisa Nacional de Saúde Bucal) do Ministério da Saúde – estudo sobre as condições de saúde bucal da população brasileira que acontece a cada 10 anos em âmbito nacional -, quase metade (46,8%) das crianças brasileiras de cinco anos já apresentam experiência de cárie, com um ou mais dentes afetados (perdidos, restaurados ou com cárie não tratada).
“O cuidado com a saúde bucal deve começar na gestação, no planejamento familiar, por meio do Pré-Natal Odontológico (PNO). Essa atenção é essencial, pois a saúde bucal da gestante afeta diretamente a do bebê. O objetivo do planejamento é cuidar da gestante e orientá-la sobre a higiene oral da criança. A gestação e os dois primeiros anos do bebê formam “os primeiros mil dias de vida”, período fundamental para prevenir doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão, cardiopatias, câncer, cárie e doença periodontal. Também é um erro procurar o dentista só ao surgirem dores ou demandas ortodônticas, típicas da dentição permanente. Por conta desse atraso, ao chegarem para a primeira consulta por volta dos sete anos, muitas crianças já carregam um histórico silencioso de lesões e complicações por cárie que seriam facilmente evitáveis com um acompanhamento precoce”, comenta Dr. Emerson Nakao, dentista e consultor científico da Odontoprev.
Pico dos atendimentos ocorre na adolescência
Dados da Odontoprev referentes aos últimos 12 meses revelam um crescimento expressivo no número de atendimentos, alcançando o pico máximo aos 13 anos de idade, com 121 mil consultas. Dados do SB Brasil 2023 mostram que, aos 12 anos, 54,38% dos adolescentes já acreditam precisar de tratamento odontológico, embora 57,72% avaliem sua saúde bucal como boa. O contraste indica que essa percepção pode ir além de problemas de saúde e envolver aspectos específicos, inclusive estéticos. Ainda assim, 16,97% relataram dor de dente nos seis meses anteriores, mostrando que questões clínicas também fazem parte dessa necessidade percebida.
Segundo o Dr. Nakao, a idade de 13 anos representa o ponto de convergência final no processo de troca da dentição, período em que também surge a pressão estética característica da adolescência. “Atualmente, os adolescentes enfrentam uma intensa busca por aceitação, somada à pressão estética imposta pelas redes sociais. Além disso, hábitos como uma rotina acelerada e o consumo frequente de bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados aumentam a suscetibilidade a problemas gengivais, erosão dentária e lesões de cárie. Por essas razões, a atenção à saúde bucal nesse período precisa ir além dos cuidados básicos de higiene, demandando um acompanhamento odontológico preventivo que também responda às preocupações estéticas dos jovens”, conclui.
Informações da Assessoria de Imprensa
