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Em 14 de maio de 2026, foi publicada no Ministério da Saúde, via parceria da Coordenação-Geral de Saúde Bucal e do Núcleo Nacional de Cuidados Paliativos, uma nota técnica que apresenta encaminhamentos sobre o papel dos profissionais de saúde bucal nos Cuidados Paliativos (CP) dentro do SUS.
A presidente do Grupo de Trabalho de Odontologia Paliativa do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo, Dra. Sumatra Jales, e a secretária do Grupo, Dra. Patricia Vilas Boas, colaboraram tecnicamente com a construção da nota. A participação das profissionais teve como objetivo contribuir para a elaboração de um documento alinhado à realidade do SUS, considerando as diferentes realidades dos territórios, os níveis de atenção e a atuação da equipe de saúde bucal, incluindo cirurgiões-dentistas, técnicos e auxiliares em saúde bucal.
Dra. Sumatra detalha que foi levado à discussão aquilo que era observado diariamente no ambulatório, no leito hospitalar, no domicílio e nas discussões multiprofissionais: sinais e sintomas orais frequentes, que permanecem muitas vezes subvalorizados e, consequentemente, subdiagnosticados e subtratados.
Dentre os desafios, a profissional compartilha que um dos principais está em transformar um direcionamento técnico em prática assistencial cotidiana. Isso envolve a capacitação das equipes, a inserção do tema na formação profissional, a organização dos fluxos assistenciais e o fortalecimento do trabalho multiprofissional.
“Durante muitos anos, a saúde bucal foi percebida de forma separada da saúde geral, como se fosse um cuidado à parte. Hoje, sabemos que sintomas como dor, boca seca, sangramento, dificuldade alimentar ou alterações da comunicação podem ampliar significativamente o sofrimento. Reconhecer isso é fundamental para que a cavidade oral seja incorporada de forma mais natural ao cuidado integral”, afirma a Dra. Sumatra.
Dra. Patrícia explica que também há um desafio importante para que a Odontologia Paliativa seja implementada na realidade do SUS, visto que se trata de uma rede ampla, diversa e marcada por diferentes níveis de estrutura, acesso, recursos e organização regional. Além disso, muitos profissionais ainda não receberam formação ou, quando recebem, ela nem sempre é suficientemente adequada para cuidados paliativos.
Existe muito desconhecimento sobre cuidados paliativos. As profissionais ressaltam que esses cuidados não representam o “fim da vida”. Trata-se de uma abordagem voltada à prevenção e ao alívio do sofrimento de pessoas com doenças ameaçadoras à vida, e que pode ocorrer desde o diagnóstico e ao longo de toda a trajetória de evolução da doença.
Dra. Sumatra afirma que, quando controlamos sintomas como dor, candidíase, xerostomia, mucosite ou ajustamos uma prótese que está machucando a boca, os cirurgiões-dentistas favorecem conforto, funcionalidade, convivência familiar e a possibilidade de a pessoa manter atividades que ainda fazem sentido para ela.
“Atuar em cuidados paliativos exige escuta, comunicação, pactuação de condutas, compreensão dos objetivos de cuidado e capacidade de construir decisões em conjunto com a equipe, o paciente e a família”, destaca Dra. Patrícia.
A Odontologia é essencial nos cuidados paliativos. Com o manejo odontológico, é possível promover o conforto e a preservação de funções básicas, como a alimentação e a comunicação. Dra. Sumatra comenta que se faz necessário compreender a trajetória clínica, os objetivos de cuidado e os desejos de cada paciente e sua família. Em alguns casos, com a evolução da doença, próximo ao fim de vida, por exemplo, há uma redução das necessidades metabólicas, rebaixamento do nível de consciência e uma redução progressiva da ingestão de alimentos. Em outros, a pessoa permanece consciente e expressa o desejo de comer algo específico, muitas vezes com valor afetivo, relacionado à história, à infância ou à convivência familiar.
De acordo com a Dra. Patrícia, historicamente, a atuação do cirurgião-dentista foi muito associada ao consultório odontológico e a uma prática mais individualizada. O trabalho multiprofissional exige abertura para uma mudança de postura: sair de uma lógica isolada de atuação e se reconhecer como parte de uma equipe que constrói decisões de forma compartilhada. Por isso, além de ampliar o reconhecimento da equipe sobre a importância da saúde bucal, também precisamos fortalecer, dentro da própria Odontologia, a disposição para atuar de maneira integrada.
Informações da Assessoria de Imprensa do CROSP
