Anabolizantes interferem na saúde bucal de atletas

Anabolizantes interferem na saúde bucal de atletas

O aumento no uso de anabolizantes entre jovens e atletas tem preocupado especialistas também no campo da saúde bucal. Levantamento da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) aponta que, desde 1996, o consumo dessas substâncias cresceu 39% entre estudantes do ensino fundamental e 67% no ensino médio, sendo que 84% dos usuários estão no terceiro ano. O estudo revela ainda que um em cada 16 estudantes já fez uso de esteroides anabolizantes.

No esporte profissional, há casos de doping envolvendo anabolizantes, incluindo em edições das Olimpíadas. O secretário da Câmara Técnica de Odontologia do Esporte do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), Dr. Lucas Thomazotti Berard, explica que o uso dessas substâncias por atletas está ligado ao objetivo de acelerar a hipertrofia muscular e ampliar força e potência em um curto período, o que pode gerar massa muscular. “Muitos casos também são justificados por pressão por resultados, comparação com outros atletas e estética corporal”, observa.

Mas os efeitos vão além do desempenho esportivo e atingem diretamente a saúde bucal. O cirurgião-dentista destaca que os anabolizantes podem provocar periodontite severa, sangramento espontâneo, inflamação gengival, alteração da microbiota oral, boca seca, aumento do risco de cáries, bruxismo, apertamento dental, mau hálito e, em alguns casos, demora na cicatrização após procedimentos odontológicos.

Segundo o Dr. Lucas, é possível recuperar a saúde bucal quando o uso de anabolizante é interrompido precocemente. “A partir disso, o atleta precisa adotar uma boa higiene bucal e realizar tratamento das alterações hormonais”, explica. Já quadros avançados, como doença periodontal severa ou perda óssea, podem deixar sequelas permanentes, embora controláveis.

Indivíduos que fazem uso de anabolizantes devem ter cuidado odontológico redobrado. Entre as medidas recomendadas estão avaliação periodontal completa, raspagem e alisamento radicular, controle da inflamação gengival, tratamento de cárie e ajustes oclusais para casos de bruxismo. O especialista acrescenta que, quando necessário, podem ser indicadas placas interoclusais, acompanhamento periódico rigoroso e, nos quadros mais graves, cirurgia periodontal e reabilitação protética.

As complicações podem se agravar também na saúde geral, impactando no sistema cardiovascular (hipertensão, arritmias e AVC), assim como problemas neuropsicológicos, incluindo casos de ansiedade, depressão e alteração de humor. O sistema endócrino também pode ser atingido, surgindo efeitos de atrofia testicular, infertilidade, ginecomastia (crescimento de mamas) e alterações hormonais graves. E até mesmo o sistema ósseo e muscular pode ser afetado, com lesões musculares, ruptura de tendões e outros.

“A Odontologia do Esporte é a área de atuação do cirurgião-dentista, que inclui segmentos teóricos e práticos, com o objetivo de investigar, prevenir, tratar, reabilitar e compreender de que forma as condições de saúde bucal podem interferir no desempenho esportivo, considerando as particularidades fisiológicas dos atletas, as modalidades que praticam, bem como as regras de cada esporte”, explica o secretário da Câmara Técnica de Odontologia do Esporte do CROSP.

De acordo com o profissional, a Odontologia do Esporte pode contribuir através da anamnese feita pelo cirurgião-dentista para detectar os hábitos do atleta, da observação de condições bucais, do exame clínico, de orientações sobre os riscos e consequências da dopagem no esporte, além de sinalizar a importância da equipe multidisciplinar no entorno do paciente atleta.

Informações da Assessoria de Imprensa

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