Saúde bucal dos pequenos

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Criança toma tanto tempo dos adultos que podem passar despercebidas algumas informações sobre elas que os pais deveriam saber para melhor conduzir e orientar suas vidas. O universo relacionado à saúde bucal é uma dessas coisas que só se percebe quando a criança se queixa, e não deveria ser assim. Essa é a opinião de Helenice Biancalana, especialista em Ortopedia Funcional dos Maxilares e Odontopediatra da APCD – Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas. “Principalmente nas grandes cidades, os pais costumam seguir uma rotina tão apressada que não dedicam tempo suficiente para os próprios cuidados com a saúde bucal, muito menos com a dos filhos. A questão é que, se dedicando a isso 10 minutos por dia, muitos problemas poderiam ser evitados”.

A especialista aponta sete fatos que é preciso saber sobre a saúde bucal das crianças.

1 – Uma em cada três crianças entre um ano e meio e três anos tem pelo menos um dente de leite cariado. Na dentição permanente, duas a cada três crianças com 12 anos têm pelo menos um dente cariado.  Esses dados são da Pesquisa Nacional em Saúde Bucal, de 2010. “O mais importante é saber que, com duas escovações por dia, utilizando creme dental com flúor, esses dados alarmantes podem ser drasticamente reduzidos”.

2 – Algumas bebidas consideradas saudáveis têm mais açúcar do que se pode imaginar. “Tanto os sucos em caixinha quanto os isotônicos são associados à imagem de quem cuida da saúde. Entretanto, estudos indicam que os níveis de acidez dessas bebidas podem levar à erosão da superfície dental, comprometer o esmalte e a aparência dos dentes, além de aumentar a sensibilidade e a dor. Várias marcas trazem ainda mais açúcar do que os refrigerantes. Conclusão: aumente a oferta de água e de leite às crianças, conferindo sempre o rótulo da embalagem quando for oferecer um suco pronto”.

3 – Uma em cada sete crianças já foi diagnosticada com lesão de cárie severa ou extensa. “Em relação à cárie, severa é sinônimo de extremamente dolorosa, intensa, perturbadora. Ou seja, não há criança no mundo que possa ter um dia normal de estudos e lazer sentindo tamanha dor. No Brasil, além de o flúor estar presente na maior parte da água distribuída nas cidades e nas pastas de dente, a correta higiene bucal deve ser alvo de muitas campanhas. Paralelamente a isso, devemos levar as crianças a um cirurgião-dentista a cada seis meses para que o uso do selante previna a ocorrência de cárie com mais sucesso”.

4 – Quanto mais cedo a criança começar a frequentar o consultório odontológico, melhor. “Todos sabemos que os adultos transmitem às crianças não apenas coisas boas, como, inclusive, seus medos. Mas é importante quebrar essa regra quando o objetivo é garantir a saúde bucal dos pequenos. Levar a criança desde bem pequena ao consultório do cirurgião-dentista – mesmo que seja só para fazer companhia – é um passo muito importante. Assim, é possível fazer um checkup da saúde bucal com a regularidade necessária e de forma tranquila, sem receio”.

5 – Crianças amamentadas naturalmente são menos propensas a persistir com hábitos de sucção não-nutritivos. “O aleitamento materno é a melhor medida de prevenção do uso da chupeta e da sucção digital – embora a sucção digital possa ser identificada ainda durante a gestação, por meio de registros ultrassonográficos do feto. Quando a criança mama no peito, há um intenso trabalho da musculatura facial, que influencia o desenvolvimento ósseo e muscular. O bebê acaba por satisfazer seu instinto de sugar, não necessitando recorrer a estímulos artificiais de sucção, como a chupeta”.

6 – Criança que respira só pela boca pode ter um desenvolvimento anormal da face e da arcada dentária, sorriso gengival, dentes tortos e gengivite. “Quando a criança tem alguma dificuldade em permanecer com os lábios fechados, ou quando só dorme de boca aberta, é importante buscar ajuda especializada. Esses padrões mostram o quanto as crises respiratórias podem estar interferindo em outras áreas. A respiração bucal tende a comprometer o desenvolvimento de importantes estruturas ósseas da face e das arcadas dentárias. O rosto pode crescer fino e alongado. Muitos tratamentos cirúrgicos poderiam ser evitados se, assim que o problema surgisse, fosse avaliado e tratado por um otorrinolaringologista com o acompanhamento de um ortodontista, fazendo uso de aparelhos para normalizar o crescimento facial e promover respiração adequada”.

7 – Usar aparelho ortodôntico para ficar na moda pode causar grande prejuízo à saúde bucal.  “Em anos recentes, mais um modismo vem preocupando toda a classe dos cirurgiões-dentistas. O uso de aparelhos ortodônticos coloridos virou febre entre crianças e adolescentes, e há sempre pais que fecham os olhos para o risco que isso representa à saúde de seus filhos. Pior ainda, acabam comprando ‘ferrinhos’ e ‘elásticos’ pirateados, sem qualquer tipo de controle, podendo causar desde intoxicações e alergias severas, até alterações irreparáveis na gengiva e nos dentes, inclusive com perda óssea e perda de dentes”.

www.apcd.org.br

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