A importância da higiene bucal na prevenção da doença de Alzheimer

A importância da higiene bucal na prevenção da doença de Alzheimer

Em 2021, uma revisão de literatura publicada na Revista Eletrônica Acervo Científico, produzida pelo Centro Universitário Atenas, de Minas Gerais, sugere que doenças periodontais estão relacionadas com o mal de Alzheimer. Em primeiro plano, as bactérias causadoras da periodontite acarretam uma resposta inflamatória sistêmica agravada pelas células de defesa do indivíduo, por consequência, esse quadro facilita seu desenvolvimento, em pessoas predispostas, ampliando os efeitos nocivos dos portadores da demência.

Além disso, o acesso das bactérias ao córtex cerebral e a consequente liberação de citocinas pró-inflamatórias constituem um mecanismo pelo qual a periodontite pode se relacionar com o desenvolvimento do Alzheimer. Quando a doença se instala, a higiene bucal passa a ficar comprometida, aumentando ainda mais o estado de confusão mental do paciente e, também, seu comportamento – estresse, irritação e desconforto.

Sabe-se, portanto, que a saúde bucal é muito importante para a prevenção do Alzheimer, por isso, a associação do hábito diário de escovar os dentes, somado ao uso de fio dental e o acompanhamento de um cirurgião-dentista pode auxiliar, e muito, o retardo ou prevenção do desenvolvimento da doença.

Cuidados especiais com os mais idosos

A presidente da Câmara Técnica de Odontogeriatria do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), Dra. Denise Tibério, reforça que o portador de Alzheimer precisa ter um cuidado especial para não desenvolver doenças periodontais. “A gengivite e a periodontite estão relacionadas com o acúmulo de placas bacterianas na superfície dentária, por isso a dificuldade de higienização à medida que a doença prospera, fazendo com que aumentem os biofilmes nas superfícies dentárias, evoluindo mais a progressão dessas doenças bucais”.

A cirurgiã-dentista destaca, ainda, que o Alzheimer possui três fases principais, e os portadores precisam ter um cuidado especial com a saúde bucal e a assistência de familiares ou cuidadores, para cada uma das fases.

“Na fase inicial, o idoso esquece de fazer a higiene e precisa ser lembrado. É indispensável orientá-lo sobre a utilização correta da escova de dentes, assepsia da língua, estimular o fluxo salivar, além de orientar o uso de próteses, se for o caso”, orienta a especialista em Odontogeriatria. Neste período, o idoso apresenta as primeiras dificuldades, que quase sempre são confundidas com o envelhecimento natural e passam despercebidas. A Odontogeriatria, conhecendo a evolução da doença, pode auxiliar na elaboração de um planejamento para propiciar conforto e qualidade de vida. “Já na fase intermediária, é provável que tenhamos a figura de um cuidador, pois há o comprometimento da rotina do idoso, e o profissional precisa ser orientado sobre a abordagem e como fará a higiene bucal do paciente. A retirada das próteses é aconselhável nesta etapa. Na fase avançada, a limpeza da boca torna-se mais difícil. Muitas vezes, a alimentação ingerida é pastosa e, provavelmente, o idoso já esteja acamado, podendo apresentar alterações de comportamento”, completa a cirurgiã-dentista.

Sinal de alerta

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que existam 35,6 milhões de pessoas com a Doença de Alzheimer no mundo, número que tende a dobrar até 2030 e triplicar até 2050. No Brasil, com uma população de quase 30 milhões de pessoas acima de 60 anos, (sendo a idade o único fator de risco reconhecido mundialmente para a doença) de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mesmo com subnotificação, quase dois milhões de pessoas sofrem de demências e, cerca de 40 a 60% delas, são do tipo Alzheimer. Esses dados são da última pesquisa realizada em 2019.

À medida em que a população de idosos aumenta, é fundamental contar, ainda mais, com a presença do profissional de Odontologia, participando do tratamento desses pacientes com Alzheimer ou qualquer outra demência identificada desde a fase de planejamento do tratamento, seja para atendimento em consultórios, hospitais, asilos, ou em domicílio. “O cirurgião-dentista, neste momento, torna-se um ‘educador’ da família e dos cuidadores responsáveis, orientando-os e treinando-os para manter a higiene bucal do paciente com qualidade de vida e, assim, ganhar sua confiança”, conclui a Dra. Denise Tibério.

Informações da Assessoria de Imprensa

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