O Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo (CVE) aponta que, até 14 de outubro, houve 224 casos de escarlatina, sendo 54 surtos e nenhuma morte registrada da doença.
A escarlatina é uma infecção bacteriana aguda, causada por uma toxina produzida pelo Streptococcus pyogenes, associada à faringite. Entre os sintomas estão febre, dor de garganta e erupção cutânea vermelha de textura áspera. A escarlatina, assim como outras doenças, também afeta a saúde bucal.
O presidente da Câmara Técnica de Estomatologia do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), Dr. Yuri Kalinin, explica que, mesmo sendo causada por bactérias Streptococcus pyogenes, nem todas as pessoas infectadas desenvolvem escarlatina, somente aquelas que forem sensíveis às toxinas (exotoxinas pirogênicas) produzidas pela bactéria.
A transmissão ocorre por gotículas respiratórias, contato com secreções de pessoas infectadas, superfícies contaminadas e alimentos contaminados. “O aumento de casos em alguns países e regiões tem sido associado a ciclos naturais epidemiológicos do estreptococo do grupo A, maior circulação de crianças em escolas e creches, queda de imunidade populacional pós-pandemia, em relação a menos exposição a agentes infecciosos, melhor capacidade diagnóstica e vigilância epidemiológica, circulação de cepas mais transmissíveis do S. pyogenes, sem evidências de maior gravidade”, esclarece o presidente da Câmara Técnica de Estomatologia do CROSP.
A faixa etária com maior risco de contrair escarlatina é de crianças de cinco a 15 anos. É raro acontecer em menores de três anos. Os adultos também podem contrair a doença, mas com menor frequência.
O cirurgião-dentista afirma que a Odontologia possui um papel importante na identificação de sinais orais. O profissional pode observar manifestações típicas na cavidade oral, como língua em “morango” ou “framboesa” (saburra branca inicial seguida de papilas aumentadas e vermelhas), eritema de palato, amigdalite com exsudato e adenopatia cervical dolorosa. “Frequentemente, a criança procura o dentista por ‘dor de dente’ ou ‘dor na boca’, e o profissional pode suspeitar da infecção”, alerta o Dr. Yuri.
É necessário que o cirurgião-dentista identifique os sinais, trate e encaminhe ao serviço médico, a fim de evitar complicações. Quando houver desidratação, é importante realizar uma avaliação cuidadosa, assim como em casos de dor oral ou redução de ingestão alimentar.
O profissional afirma que a escarlatina tem cura e costuma evoluir bem quando tratada adequadamente. O tratamento da doença é feito com antibióticos e se faz necessário para evitar possíveis complicações. O presidente da Câmara Técnica de Estomatologia do CROSP reforça que não há relação com vírus ou vacinas na escarlatina.
“É indicado lavar as mãos frequentemente, evitar compartilhar copos, talheres, alimentos, ventilar ambientes, tossir no antebraço, evitar contato com pessoas com faringite ou escarlatina. Além disso, é importante limpar superfícies e objetos manipulados por crianças, bem como tratar rapidamente casos suspeitos a fim de reduzir a transmissão”, orienta o cirurgião-dentista.
Informações do CROSP
